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Geral Médico suspeito de crimes sexuais diz ter recebido pacientes “perfumadas e com marquinha”; delegada critica tentativa de “culpar a vítima”

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A Justiça revogou a prisão do médico acusado de abuso sexual em Goiás. (Foto: Reprodução)

O ginecologista Nicodemos Júnior Estanislau Morais, de 41 anos, investigado por crimes sexuais, definiu como atitudes “estranhas” ir ao consultório usando perfume ou com marquinha de biquíni. Morador de Anápolis, a 55 km de Goiânia, ele afirma que o teor das conversas com as pacientes, seja por redes sociais ou pessoalmente, está sendo mal interpretado. A Polícia Civil criticou o ginecologista por tentar culpar as vítimas pelos crimes.

“Já aconteceram inúmeras situações estranhas no consultório de pacientes que vão muito bem arrumadas, perfumadas, com marquinha [de biquíni]. Entra no banheiro para trocar de roupa e fala: ‘Doutor, posso vestir ou posso ficar sem [camisola]?’”,disse.

Mais de 50 mulheres procuraram a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher para prestar depoimentos dizendo que sofreram algum tipo de abuso por parte do ginecologista. O médico é investigado por importunação sexual, violação sexual mediante fraude e estupro de vulnerável.

A delegada que investiga o caso, Isabella Joy, afirmou que em nenhum momento foi comprovado que pacientes fizeram insinuações para ele com objetivos sexuais.

“Temos estudos criminológicos que mostram que o abusador sempre tenta colocar a culpa na vítima para tirar a credibilidade da palavra dela e se colocar como coitado ou vítima. A culpa nunca é da mulher. Essa é uma fala que a defesa tenta alegar, mas isso não existe”, avalia a delegada.

O médico relatou que sempre orienta o uso da camisola durante a consulta porque não sabe “qual é o objetivo dela [paciente]”. “Toda paciente tem que vestir a camisola. Eu poderia interpretar de forma incorreta [ a pergunta sobre não usar], assim como estão me interpretando”, pondera Nicodemos Júnior.

“Não digo que elas estão mentindo, mas que me interpretaram de forma incorreta. O que eu considero é que elas receberam as formas das minhas perguntas e a forma do meu exame como se fosse um estímulo sexual”, completa o médico.

Ainda durante a entrevista, o ginecologista contou que faz parte de sua profissão fazer o exame de “toque” nas pacientes, que é quando o ginecologista analisa o colo do útero.

“Não foi o meu objetivo, mas durante o exame físico eu tenho que fazer o toque. Um ginecologista que não faz o toque em sua paciente, ele não examinou. Assim como um cardiologista que não escuta o coração do seu paciente, ele não examinou”, contou.

O médico disse ainda que, caso tenha encostado o órgão sexual contra as pacientes, foi por um acidente.

Pacientes revelaram à polícia conversas que tiveram com o médico em redes sociais e no consultório onde atendia. Segundo elas, muitas tinham cunho sexual, como “transar fortalece amizade” ou “faz o bronzeamento e me mostra”.

Nicodemos Júnior nega que as assediou. Ele disse que comentários em aplicativos de mensagens eram “brincadeira” e admitiu que isso foi um erro.

“É muito complexo. Eu brinco com algumas coisas. Às vezes, nisso, eu pequei, realmente. (…) Mas, nunca, em nenhum momento, eu toquei em uma paciente com objetivo de ter prazer sexual ou de fazer ela ter um prazer sexual, porque o objetivo ali é o exame físico”, disse.

Nicodemos Júnior foi preso no dia 29 de setembro após a denúncia de três vítimas. No dia 4 de outubro, o médico ganhou liberdade provisória. Ele está usando tornozeleira eletrônica, não pode entrar em contato com as vítimas nem fazer consultas. O Ministério Público de Goiás recorreu da decisão de soltura do médico. As informações são do portal de notícias G1.

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