Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 13 de julho de 2017
O ministro da Saúde, Ricardo Barros, defendeu nessa quinta-feira a adoção de biometria em todas as unidades de saúde e de um “padrão de produtividade” para fiscalizar o trabalho de profissionais que atuam no SUS (Sistema Único de Saúde), em especial os médicos.
“Vamos parar de fingir que pagamos o médico e o médico parar de fingir que trabalha”, disse. “A biometria do funcionário vai permitir que essas pessoas cumpram o contrato que fizeram com o poder público”, afirmou.
Segundo o ministro, é preciso também estabelecer metas de desempenho para que as prefeituras possam fiscalizar o trabalho dos médicos, como tempo destinado às consultas, por exemplo. “Vamos estabelecer metas, e quem estiver abaixo do seu desempenho, vai ser chamado a aumentar sua produtividade.”
Ele cita como exemplo o parâmetro da OMS (Organização Mundial de Saúde), que prevê cada consulta dure cerca de 15 minutos. “Hoje o médico vai lá, faz quatro horas de concurso e marca 16 consultas. Ele faz cinco minutos de consulta e vai embora. Queremos o médico no tempo que concursou”, disse.
Mais Médicos
O programa Mais Médicos completou no dia 8 deste mês o seu quarto aniversário com a recém-alcançada marca de 6 mil profissionais brasileiros, que hoje são um terço do total de participantes.
Este número, improvável nos primórdios da iniciativa – bombardeada pela classe médica após o lançamento pelo governo Dilma Rousseff, em 8 de julho de 2013 –, é parte do esforço de aumentar a autossuficiência do Mais Médicos, uma das prioridades do ministro da Saúde, Ricardo Barros.
No fim de 2014, quando o programa já funcionava a todo vapor na era petista, havia 11,4 mil cubanos entre os 14,4 mil médicos. O peso deles, que era de 79% naquela época, está hoje em 57%. Desde setembro de 2016, cerca de mil caribenhos que encerraram os três anos de trabalho voltaram à ilha e foram substituídos por brasileiros.
A mudança de rumo angariou um pouco de simpatia das entidades médicas – com quem “o diálogo está muito bom”, segundo disse Barros–, mas o CFM (Conselho Federal de Medicina) ainda torce o nariz a um dos pilares do programa: a isenção aos estrangeiros de prestar o Revalida, exame de qualificação para diplomados no exterior.
Também entraram no alvo do CFM os profissionais formados em países como Bolívia e Paraguai: em setembro, o governo derrubou o veto à inscrição – igualmente livre do Revalida – de médicos nascidos aqui, mas graduados em nações com menos de 1,8 médico por mil habitantes, a taxa brasileira.
Procurado, o conselho diz que segue defendendo a aplicação geral do exame, “exigência feita em países onde os governos expressam real preocupação com a qualidade da assistência oferecida”.
Para tornar o convite mais atrativo aos brasileiros, o governo mudou os editais: agora os candidatos informam não uma, mas quatro localidades onde querem trabalhar. Se não for alocado na primeira opção, o interessado escolhe uma das secundárias. “Facilitar que o médico escolha para onde vai é o primeiro passo para o sucesso do plano”, afirmou Barros.
O ministro reconhece que os cubanos ainda serão necessários em comunidades remotas do interior e periferias das grandes cidades, onde ainda há carência de profissionais locais. Mas faz um adendo: “Eles também estão em grandes centros, não existe isso de eles só serem colocados nos locais distantes”.
Os comentários estão desativados.