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Brasil Médicos contestam a resistência de Bolsonaro ao coronavírus por ter sido atleta

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Especialistas dizem que intensidade da atividade física no passado não leva a uma maior resistência hoje. (Foto: Reprodução)

A afirmação feita pelo presidente Jair Bolsonaro durante pronunciamento à nação na última terça-feira (24) de que se fosse infectado pelo coronavírus por causa do seu histórico de atleta teria uma “gripezinha ou um resfriadinho” é contestada por médicos. A prática de exercícios no passado não torna qualquer pessoa idosa mais resistente a uma infecção, de acordo com os especialistas. Bolsonaro tem 65 anos.

“Isso (a fala do presidente) é uma grande fantasia. Primeiro, que ele é uma pessoa idosa. O organismo de forma geral envelhece. O cabelo envelhece, a pele envelhece e o sistema imunológico também. A resposta aos quadros infecciosos também acabam sendo diferentes (para idosos). Isso sem dúvida alguma. A expressão de um quadro viral como esse pode ser muito mais grave (em Bolsonaro), sim”, afirma Jean Gorinchteyn, infectologista do Hospital Emílio Ribas.

O médico afirma que o idoso que pratica exercício com regularidade pode aguentar mais tempo, por exemplo, os desconfortos do quadro respiratório provocados pelo coronavírus sem precisar ser entubado.

“O sedentário pode entrar mais rapidamente em falência respiratória. Mas em termos de defesa imunológica e risco de ter infecção de forma grave não há diferença (entre sedentário e praticante de exercício)”, acrescenta.

Bolsonaro foi atleta nos tempos do Exército. Ele competia numa modalidade chamada pentatlo militar, que inclui tiro, corrida e natação. O seu bom desempenho lhe rendia elogios de superiores e o apelido de “cavalão” entre os colegas, segundo o livro “O Cadete e o Capitão”, de Luiz Maklouf Carvalho.

O atual presidente passou para a reserva em 1988. Desde que deixou o Exército, aos 33 anos, de acordo com ex-assessores, praticava corrida, futebol e natação. A rotina foi interrompida pela pré-campanha a presidente em 2018 e, principalmente, pela facada em agosto daquele ano. Desde então, passou por quatro cirurgias, a última delas em setembro do ano passado.

“Ele sempre fez atividade física. Corria na praia. Mas depois da pré-campanha e, após ser esfaqueado, não teve mais condição de fazer”, afirma o senador Major Olímpio (PSL-SP), que foi próximo do presidente até a metade do ano passado.

“Se ele hoje não é mais atleta, se não faz exercícios, é um sedentário”, diz Gorinchteyn.

O presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Marcelo Queiroga, avalia que a condição passada de atleta ajudou Bolsonaro a resistir à facada, mas não lhe garante uma situação mais fácil caso seja infectado pelo coronavírus.

“O fato de ele ter sido atleta não quer dizer que está imune. Eu até acho que uma infecção por coronavírus na faixa etária dele com as comorbidades que ele teve em função dessa tentativa de homicídio, o coloca numa faixa de maior vulnerabilidade. Essa é uma hipótese porque eu não examinei o presidente Bolsonaro.

O presidente se submeteu a exame e informou que teve resultado negativo para o coronavírus depois da viagem aos Estados Unidos, entre os dias 7 e 11 de março, mas não mostrou o resultado do exame. Dos integrantes da comitiva que acompanhou Bolsonaro, 23 foram confirmados com a doença.

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