Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 5 de julho de 2021
Todas as medidas de restrição para conter a covid-19 serão suspensas na Inglaterra no próximo dia 19, anunciou o premier Boris Johnson nesta segunda-feira (5), traçando a última etapa do desconfinamento britânico após 16 meses de limitações. O alívio, que alguns especialistas temem ser precipitado e excessivo, coincide com um aumento de 146% nos novos diagnósticos no país, impulsionado pela variante Delta, cerca de 60% mais contagiosa.
A decisão sobre o desconfinamento será confirmada no dia 12, mas não há qualquer indício de que o governo voltará atrás: daqui a duas semanas, salvo uma reviravolta brusca, não será mais obrigatório usar máscaras ou manter um metro de distância, por exemplo. Boates e teatros poderão reabrir, e a recomendação para o trabalho remoto será abolida, assim como os limites para aglomerações.
O próprio premier reconhece que a pandemia está longe do fim e começou a entrevista coletiva com o alerta de que os novos casos podem duplicar nas próximas duas semanas, chegando a 50 mil por dia, e que será necessário se “reconciliar com mais mortes”. Ainda assim, ele disse crer que a campanha de vacinação britânica já está suficientemente avançada e deve continuar a evitar uma piora drástica das internações e dos óbitos.
“A pandemia está longe de terminar e, certamente, não acabará até o dia 19”, disse Boris, afirmando que é hora de “aprender a viver” com o vírus. “No entanto, deveremos ser honestos com nós mesmos. Se não reabrirmos nossa sociedade nas próximas semanas, quando seremos ajudados pela chegada do verão e pelas férias escolares, então quando poderemos voltar ao normal?”
O alívio vale apenas para a Inglaterra, que concentra 55 milhões dos 66 milhões de habitantes do Reino Unido, já que Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte estabelecem seus próprios cronogramas de restrições.
Como um todo, o país já aplicou ao menos uma dose em 66,7% de seus habitantes. Quase metade da população já recebeu as duas doses — uma das maiores taxas do planeta e a segunda maior do continente europeu, atrás apenas de Malta. O plano é que, nas próximas duas semanas, todos os adultos já estejam aptos para se vacinar e ao menos dois terços tenham tomado as duas doses.
“Eu não quero que as pessoas achem que este é o momento para ficarem eufóricas. Estamos muito longe de não precisarmos mais lidar com o vírus”, alertou Johnson, afirmando que diretrizes futuras sobre regras mais brandas para viagens ao exterior e diretrizes para a volta às aulas deverão ser anunciadas ao longo da semana.
Terceira dose
O passo derradeiro do desconfinamento estava previsto para o dia 21 de junho, mas foi adiado diante do crescimento dos casos no país. O Reino Unido registra hoje uma média de 24,5 mil diagnósticos diários, mas as mortes e internações não crescem na mesma proporção: o coronavírus mata em média 17 britânicos por dia. A grande maioria dos internados, disse o premier, continua a ser de pessoas não vacinadas.
As vacinas usadas no país são eficientes contra a variante Delta: segundo uma pesquisa preliminar divulgada em junho pelo sistema de saúde inglês, as duas doses da Pfizer/BioNTech evitam internações em 96% dos casos, e as duas injeções da Universidade de Oxford/AstraZeneca, em 92% dos pacientes.
Uma injeção única, no entanto, teria apenas 33% de eficácia para conter novas infecções, o que levou o governo a acelerar a aplicação da segunda dose. No último dia 14, foi reduzido o intervalo entre a primeira e a segunda dose de 12 para oito semanas para todos com mais de 40 anos. Nesta segunda, o governo anunciou que o mesmo valerá para as faixas etárias inferiores.
Em paralelo, Johnson confirmou que o governo aplicará doses de reforço em todos com mais de 50 anos ou com comorbidades a partir de setembro, na antecipação dos meses de outono e inverno. Não se sabe ao certo por quanto tempo as doses anti-coronavírus conferem imunidade, mas a discussão sobre o reforço ganha cada vez mais intensidade diante de pesquisas que mostram sua eficácia.
Críticos, contudo, apontam que isso pode atrasar ainda mais a campanha de vacinação nos países mais pobres do planeta, adiando ainda mais o fim da pandemia.
“Queremos estar na linha de frente das doses de reforço contra a covid-19 para reduzir ao máximo possível a probabilidade de perda de proteção devido ao enfraquecimento da imunidade ou de novas variantes”, disse Jonathan Van-Than, vice-chefe médico da Inglaterra na semana passada.
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