Segunda-feira, 14 de Junho de 2021

Porto Alegre
Porto Alegre
12°
Clear

Política Ministério da Saúde elabora documento contraindicando cloroquina e azitromicina no tratamento do coronavírus

Compartilhe esta notícia:

Texto será colocado em consulta pública e depois pode vir a ser adotado como uma nova orientação do governo federal. (Foto: Anderson Riedel/PR)

Um grupo técnico formado a convite do Ministério da Saúde elaborou um documento preliminar com orientações contra o uso da cloroquina, azitromicina, ivermectina e outros medicamentos sem eficácia no tratamento da covid-19 em pacientes hospitalizados por causa da doença.

A análise é parte da elaboração de um protocolo único sobre como os doentes devem ser atendidos nos hospitais e também trata de intubação, oxigênio e outros pontos dos cuidados hospitalares.

O texto será agora analisado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Ele será colocado em consulta pública por um período de 10 dias e depois pode vir a ser adotado como uma nova orientação do governo federal sobre o tema.

Chamado de “Diretrizes Brasileiras para Tratamento Hospitalar do Paciente com Covid-19”, o documento desaconselha o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra o coronavírus.

“Alguns medicamentos foram testados e não mostraram benefícios clínicos na população de pacientes hospitalizados, não devendo ser utilizados, sendo eles: hidroxicloroquina ou cloroquina, azitromicina, lopinavir/ritonavir, colchicina e plasma convalescente. A ivermectina e a associação de casirivimabe + imdevimab não possuem evidência que justifiquem seu uso em pacientes hospitalizados, não devendo ser utilizados nessa população”, aponta o documento.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) vem alertando desde o segundo semestre do ano passado que a cloroquina, hidroxicloroquina e azitromicina não tem eficácia comprovada contra a covid-19 e podem provocar efeitos colaterais.

Apesar dos alertas, o governo não tornou sem validade a publicação de um documento técnico no qual recomenda que médicos receitem a cloroquina e a hidroxicloroquina mesmo em casos leves de covid-19.

Tratamento hospitalar

De acordo com o coordenador do estudo, o pneumologista Carlos Carvalho, o ministro da Saúde pediu a formação de um grupo técnico com representantes das principais entidades e associações médicas para definir um protocolo de atendimento hospitalar.

Carvalho diz ter reunido especialista e quatro dos sete capítulos do protocolo foram já redigidos e serão apresentados ao Conitec nesta quinta-feira (20).

O debate sobre a inexistência de um protocolo único foi levantado em março pela médica Ludhmilla Hajjar, que recusou o cargo de ministra da Saúde, defender que é função do Ministério da Saúde orientar equipes médicas sobre a melhor forma de atender pacientes com covid-19.

Diversas sociedades médicas concordaram e apontaram a falta das orientações unificadas.

“O tratamento pré-hospitalar não entrou nessas recomendações (que serão enviadas ao Conitec)”, disse Carlos Carvalho, coordenador de grupo de estudo.

Mudança de posição

Se a indicação for formalizada, será a primeira vez em mais de um ano de pandemia que o Ministério da Saúde vai divulgar um documento desaconselhando tais drogas para tratar a covid-19.

Em maio do ano passado, o então ministro da Saúde Eduardo Pazuello mudou o protocolo do Ministério para permitir a prescrição de cloroquina para pacientes com sintomas leves da covid-19, como queria Jair Bolsonaro.

Em setembro, aliás, durante a posse de Pazuello como ministro da pasta, o presidente da República se referiu a si mesmo como “doutor Bolsonaro” e fez propaganda da hidroxicloroquina exibindo uma caixa do medicamento à plateia.

Em 6 de maio, o ministro da Saúde Marcelo Queiroga prestou depoimento na CPI da Covid no Senado. Questionado sobre se a cloroquina deve ser usada para tratar a covid, ele alegou que a questão deve ser decidida pela Conitec.

tags: em foco

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Política

CPI da Covid interroga o ex-chanceler Ernesto Araújo; acompanhe
Bolsonaro assina decreto para combater a violência infanto-juvenil
Deixe seu comentário
Pode te interessar