Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 13 de novembro de 2017
A ministra Luislinda Valois (Direitos Humanos) afirmou em discurso nesta segunda-feira (13) que é “preta, pobre e da periferia”. A declaração foi dada quase duas semanas depois que a tucana se queixou oficialmente ao presidente Michel Temer dos descontos feitos em seu salário para que não superasse o teto remuneratório previsto na Constituição. Ela não se referiu diretamente ao episódio.
“Como mulher preta, pobre e da periferia, conheço o que é viver fora dos grandes centros”, disse ela no lançamento do Programa Emergencial de Ações Sociais para o Rio de Janeiro. Com investimento previsto de R$ 157 milhões, o programa inclui pacote de ações nas áreas de justiça, educação, esporte e direitos humanos, tendo como objetivo atender a 50 mil crianças e jovens.
A uma plateia de jovens atletas de programa da Marinha, Valois disse que “o caminho da retidão é o melhor”. A ministra desistiu do pedido para acumular o salário integral do cargo que ocupa atualmente com a aposentadoria de desembargadora. A aposentadoria bruta da ministra é de R$ R$ 30.471,10 e o seu salário mensal é de R$ 30.934,70.
Com a regra de abate do teto salarial, no entanto, ela recebe R$ 33.700,00, o que equivale ao salário bruto dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).
Caso o pedido fosse deferido, a ministra passaria a receber R$ 61,4 mil.
“Trabalho escravo”
Na solicitação, ela afirma que o trabalho executado sem a correspondente contrapartida “se assemelha a trabalho escravo”.
Filiada ao PSDB, a ministra é a única negra no primeiro escalão do governo federal e diz ser a autora da primeira sentença de condenação por racismo, em 1993.
Polêmica
A polêmica em torno do salário de Luislinda veio à tona após a Coluna do Estadão revelar a insatisfação da ministra com o valor de seu contracheque. Conforme a reportagem, Luislinda protocolou um pedido ao governo no qual alegava fazer trabalho escravo por não receber R$ 61 mil, valor que seria a soma de sua remuneração como ministra com a aposentadoria como desembargadora. Se o pleito da ministra fosse atendido, ela receberia além do teto constitucional, que é de R$ 33,7 mil, violando a legislação.
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