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Política Ministro do Supremo Gilmar Mendes chama o seu colega André Mendonça de “boneco eleitoral”

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Gilmar Mendes chamou colega de “pixuleco”. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

Em meio a um “bate-boca” na sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) nessa terça-feira (15) entre os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça, um termo que ficou conhecido no Brasil durante a Operação Lava Jato, em 2015, foi usado como ataque entre os magistrados.

“Evidente que se trata de um ‘pixuleco’, de um boneco eleitoral. É disso que nós estamos falando (…) Desculpe, presidente, mas é preciso chamar as coisas pelo nome. É uma atitude covarde, vil. Até a máfia tem ética. É preciso ter decência. Não se comporta dessa forma”, disse Gilmar ao afirmar que o colega teria conduzido o caso Master sob interesse político-eleitoral.

André Mendonça acusou Gilmar Mendes de ser “leviano” quando ele disse que Mendonça escolheu divulgar acusações contra Moraes perto do 7 de setembro para influenciar nas eleições. “Não aponte o dedo para mim, mereço respeito” disse Mendonça. “Quem não se dá ao respeito, não merece respeito”, respondeu o decano.

Gilmar Mendes disse ainda sobre a conduta de Mendonça: “não é digno de pessoas dignas”.

“As coisas precisam ser chamadas pelo nome. Não se pode admitir, mesmo um colega que esteja eventualmente envolvido, que pegue um filho, não pode se submeter a esse tipo de vexame. É uma atitude covarde. Já disse isso em outros momentos, até a máfia tem ética. É preciso ter decência. Não se comporta dessa forma. Um tribunal que isso admite já não delibera com liberdade. As pessoas estão submetidas, submissas, entregues a esse tipo de vilipêndio.”

O presidente do tribunal, Edson Fachin, interrompeu a discussão. Ao fundo, Gilmar dizia: “Pode chorar”. Mendonça rebatia: “Não estou chorando, não. Aqui não tem choro, não”. Flávio Dino, então, afirmou que iria pedir vista e classificou a condução da sessão por Fachin como desastrosa. Mendonça disse: “Eu estou sendo agredido”.

O bate-boca interrompeu o que, até então, estava sendo um debate técnico e marcado por uma cordialidade não vista na primeira parte do encontro. Alexandre de Moraes, objeto da sessão por sua suposta ligação com Vorcaro, protagonizou uma discussão acalorada com Mendonça pouco antes de o plenário ser interrompido para intervalo.

Enquanto os ministros do STF falavam sobre a atuação da PF na investigação, Moraes pediu para que sua postura fosse analisada junto à de Mendonça e acusou o colega de parcialidade na condução do caso.

“Não há como julgar hoje sem julgar terça (da semana que vem, que pautará a conduta de Mendonça na relatoria do caso Master)”, disse Moraes. “Por isso eu pergunto: Quem tem medo da Polícia Federal?”

“Não é questão de medo, não”, respondeu Mendonça, ao que Moraes disse: “Eu não estou perguntando à vossa excelência”. Mendonça rebateu: “Mas eu estou lhe respondendo”.

Moraes prosseguiu, dirigindo-se a Fachin: “Quem tem medo da Polícia Federal? Quem chamou a Polícia Federal e exigiu que a Polícia Federal colocasse um colega na colaboração premiada. E vamos trazer aqui, presidente (Fachin), e chamar aqui testemunhas que eu vou indicar. Não só policiais, mas advogados. Testemunhas. Eu tenho testemunhas que o ministro André, em reunião, disse: ‘Peçam isso’.”

Mendonça interveio: “Isso é mentira. Mentira.”

“Vamos chamar as testemunhas, então? Pode chamar quem quiser”, rebateu Moraes.

“Isso é mentira. Pode chamar quem quiser, vão mentir”, disse Mendonça, que repetiu “mentira” nove vezes durante a fala do colega. (Com informações do jornal O Globo e da Folha de S.Paulo)

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