Terça-feira, 15 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 19 de fevereiro de 2018
O ministro Luiz Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), negou o pedido de liberdade apresentado pelo ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil Aldemir Bendine. Com isso, ele seguirá preso.
Bendine foi preso em julho do ano passado por ordem do juiz Sérgio Moro, que conduz a Operação Lava-Jato na primeira instância.
No pedido apresentado ao Supremo, a defesa de Bendine alegou que o processo ao qual ele responde na Justiça já teve a instrução encerrada e, por isso, o executivo não teria mais condições de interferir em depoimentos nem na coleta de provas no caso.
O ex-presidente da Petrobras é acusado de receber 3 milhões de reais de propina da Odebrecht em troca de favores à empresa em contratos da Petrobras.
Bendine nega as acusações e se diz vítima de perseguição.
Ao negar o pedido de liberdade, Fachin disse não ter visto “plausibilidade jurídica” nem “possibilidade de lesão irreparável ou de difícil reparação” na manutenção da prisão preventiva (antes de condenação).
A denúncia
Segundo a força-tarefa da Lava-Jato, os crimes ocorreram de 2014 a 2017. Em 2015, Bendine deixou o Banco do Brasil com a missão de acabar com a corrupção na petroleira, alvo da Lava-Jato. Mas, segundo delatores da Odebrecht, Bendine já cobrava propina no Banco do Brasil e continuou cobrando na Petrobras.
Quando comandava o Banco do Brasil, Bendine pediu R$ 17 milhões à Odebrecht para rolar uma dívida da empresa com a instituição. Mas Marcelo Odebrecht e Fernando Reis disseram em delação premiada que não pagaram o valor por acharem que Bendine não teria capacidade de influenciar no contrato.
Na véspera de assumir a presidência da Petrobras, em 6 de fevereiro de 2015, Aldemir Bendine e um de seus operadores financeiros novamente solicitaram propina a Marcelo Odebrecht e Fernando Reis, segundo o MPF (Ministério Público Federal).
Investigadores dizem que o pedido foi feito para que a empreiteira não fosse prejudicada em seus interesses na Petrobras, inclusive em relação às consequências da Operação Lava-Jato. Segundo os delatores, a Odebrecht optou por pagar os R$ 3 milhões pelo Setor de Operações Estruturadas, como era chamada a área responsável pelas propinas na empresa.
Foram feitas três entregas em espécie, no valor de R$ 1 milhão cada uma, em São Paulo, entre junho e julho de 2015, com atuação de Álvaro Novis. Parte do valor da propina ainda foi passado a Bendine de forma dissimulada com o pagamento de uma viagem internacional feita por ele no final de 2015, afirma o MPF.
Em 2017, quando já sabiam que estavam sendo investigados, André, Antônio Carlos e Bendine tentaram dissimular o recebimento de propina como se tivessem origem em serviços de consultoria prestados à Odebrecht, segundo a denúncia. Para isso, fizeram o recolhimento de tributos da falsa consultoria.
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