Quarta-feira, 12 de Agosto de 2020

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Magazine Morre o ator Leonardo Villar, protagonista do filme “O Pagador de Promessas”, ganhador do Festival de Cinema de Cannes

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Ator falecido longe das câmeras e dos holofotes viveu momentos importantes na história das novelas.

Foto: Divulgação
Ator falecido longe das câmeras e dos holofotes viveu momentos importantes na história das novelas. (Foto: Divulgação)

A morte de Leonardo Villar, aos 96 anos, vítima de parada cardíaca, fez os telejornais destacarem seu papel mais importante no cinema, Zé do Burro, protagonista de “O Pagador de Promessas”, único filme brasileiro a ganhar a Palma de Ouro do Festival de Cannes (1962). Pouco se falou a respeito da carreira do ator na teledramaturgia. Ele registrou seu nome em momentos especiais na TV. O blog ressalta alguns deles.

A estreia de Leonardo Villar aconteceu em 1965, na novela “A Cor da Sua Pele”, da TV Tupi. Interpretou Dudu, par romântico de Clotilde, vivida por Iolanda Braga, a primeira atriz negra a protagonizar um folhetim na televisão brasileira. A trama mostrava os desafios de um relacionamento interracial. Procedente do lendário TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), o jovem ator chamou a atenção pelo talento e também por sua beleza.

Em 1972, ele enfrentou uma missão difícil. A apenas 28 capítulos do final da novela “O Primeiro Amor”, o ator principal do elenco, Sérgio Cardoso, morreu de ataque cardíaco. Leonardo Villar foi escalado para assumir o papel do professor Luciano. Em uma cena icônica, Sérgio Cardoso saiu de um cômodo e, quando a porta foi aberta novamente, Leonardo surgiu na pele do personagem. Um trabalho penoso ao ator, que tinha sido amigo pessoal de Sérgio Cardoso desde os tempos de TBC.

Nos anos seguintes, Villar marcou presença em outras produções de sucesso, como “Os Ossos do Barão” (1973), “Escalada” (1975) e “Estúpido Cupido” (1976). Após papéis com pouca repercussão, o artista voltou a mexer com os noveleiros em “Barriga de Aluguel” (1990), ao interpretar Ezequiel, pai da protagonista Clara (Cláudia Abreu). Religioso radical e conservador extremista, ele personificava a intolerância e a resistência à evolução da sociedade. Um personagem conectado com o Brasil de 2020

O artista participou depois de “Amazônia” (1991), “Tocaia Grande” (1997), o remake de “Os Ossos do Barão” (1998), “Laços de Família” (2002) e ‘Cabocla’ (2006), entre outros trabalhos. A última aparição em cena aconteceu em “Passione”, de 2010, quando estava com 87 anos. O ator viveu Antero/Giovanni, parte de um triângulo amoroso formado com Brígida (Cleyde Yáconis) e Gemma (Aracy Balabanian).

De maneira comovente e divertida, a trama discutiu o amor na maturidade. Sempre discreto a respeito da vida pessoal, Leonardo Villar se recolheu para passar os últimos anos de vida com tranquilidade, apenas como espectador da televisão que ajudou a consolidar no Brasil.

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