Quarta-feira, 10 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 2 de novembro de 2023
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
A recente tragédia que vitimou Sara Mariano na Bahia se tornou mais um doloroso capítulo na história de um país que chega a registrar em média quatro feminicídios diários – dados do último Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Morta pelo marido, que confessou o crime, a pastora e cantora gospel foi encontrada carbonizada em um matagal. O caso chocou o país e reforça ainda mais a importância de falar sobre violência doméstica.
Essa dinâmica abusiva pode se esconder atrás de violências psicológicas e até espirituais, onde a religião é usada para tornar as vítimas submissas. Condutas como estas iniciam de forma sutil e tendem a piorar em quantidade e intensidade, até chegar ao feminicídio.
O que se precisa prestar atenção é que nem sempre mulheres vítimas de violência doméstica morrem fisicamente nas mãos do agressor. Há aquelas com doenças psicossomáticas, desenvolvidas pelos abusos ao longo dos anos, ou as que tiraram as próprias vidas por não suportar. Recebo mensagens de mulheres que se calam e preferem ser prisioneiras dos seus próprios lares, pois sabem que o judiciário não é capaz de protegê-las. É assim que essas mulheres também morrem em vida!
Somado a isso, o judiciário não acompanha a evolução da dinâmica psicológica da violência doméstica e não tem preparo para compreender o funcionamento da mente perversa do abusador. Desta forma, o sistema acaba se tornando cúmplice de toda a situação e contribui com a violência processual.
Eu amo o Brasil, mas precisamos admitir que somos o país do caos. Se eu não tivesse saído de minha casa com minhas filhas com uma medida protetiva, talvez, estaríamos na mesma estatística de Sara. Precisamos de medidas educativas e preventivas, de conscientização da população e de projetos de restauração de agressores. Mais que isso, precisamos de um judiciário treinado, pois vítimas que rompem ciclos abusivos não têm condições emocionais e financeiras para lidarem com processos judiciais intermináveis.
É necessário compreender o funcionamento da mente agressora, como ela é formada, em que circunstâncias esses agressores foram educados, as heranças transgeracionais que receberam de seus ancestrais, para que seja possível entender e combater a dinâmica abusiva e os ciclos agravantes que matam.
Trata-se de uma questão humanitária a nível de tratados internacionais. Então, que fique de sugestão para novas políticas que precisam ser urgentemente implantadas.
Gab Saab é psicóloga jurídica, neuropsicanalista e mulher agora livre de um relacionamento abusivo. É autora do livro “Abuso”, que ajuda vítimas a identificarem e se libertarem de relações violentas
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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Mulheres não podem esperar pela “sociedade dos poetas mortos” para garantir que não sofram violência física, moral e psicológica por parte de seu parceiro, companheiro, namorado, marido, “ficante”, enfim, ao primeiro sinal de agressão devem reagir, se necessário revidando com agressão física também; determinando afastamento físico e social. As mulheres não podem “glamorizar” as agressões, sendo que muitas confundem desejo de posse como se fosse ciúme. São as próprias mulheres que deverão agir e reagir. As mulheres não podem ficar esperando por policiais ou legislação, que venha regulamentar relacionamentos. Basta de submissão e dependência de terceiros!