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Saúde Muitos homens dão às suas mulheres a administração do próprio desejo

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Na vida adulta, os homens escondem a necessidade que têm das mulheres, o desejo de ser cuidado, acalentado, dependente. (Crédito: Reprodução)

Ao contrário do que parece, é grande o número de homens que dependem emocionalmente de suas mulheres, entregando a elas a administração integral da vida e dos próprios desejos. Entretanto, ainda persiste a ideia de que o homem evita relacionamentos íntimos e foge de compromissos. No entanto, na verdade, quando se sente atraído por uma mulher, dois sentimentos contraditórios o assaltam. Por um lado, o desejo de intimidade, de aprofundar a relação. Por outro, o temor de se ver diante do seu próprio desamparo e do desejo de ser cuidado por uma mulher.

Talvez isso explique por que tantos homens que optam por uma vida livre, em um determinado momento, casam-se e tornam-se submissos, dependentes e dominados pela mulher. O território original da menina e do menino é o feminino materno. A ruptura precoce do menino com a mãe na tentativa de se adequar ao modelo imposto é frustrante para a maioria dos homens.

O vínculo do menino com a mãe é intenso, mas deve ser rompido para que ele se desenvolva como homem. Permanecer muito perto da mãe só é permitido às meninas. Os amigos e os próprios pais não perdem uma oportunidade de debochar ou fazer uma piada a qualquer manifestação de necessidade da mãe.

Desde cedo, então, o menino aprende que deve rejeitar uma parte de si. O desejo de ser cuidado, acalentado, dependente é recalcado. Sentimentos de ternura, generosidade, preocupação com os outros são reprimidos para melhor diferenciá-lo da mãe. Na vida adulta, os homens escondem a necessidade que têm das mulheres mostrando-se autossuficientes e desprezando-as. Convencem-se de que elas é que precisam deles, da sua proteção. Negando suas próprias necessidades de dependência, sentem-se mais fortes e poderosos.

Poucas vezes o homem tem oportunidade de relaxar, de baixar a guarda. Ficar doente, mesmo sem gravidade, é um ótimo pretexto. Entregam-se despreocupados ao saudoso cuidado materno, agora exercido geralmente pela namorada ou pela esposa.

Muitos homens não são autônomos. Autonomia implica não se submeter às exigências sociais, de modo a rejeitar características da própria personalidade consideradas femininas pela nossa cultura. O homem pode ser forte, decidido e corajoso, mas também frágil, indeciso e muitas vezes pode sentir medo, dependendo do momento e das circunstâncias. Pode falar dos seus sentimentos, ficar triste e até chorar. (Regina Navarro Lins/AD)

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