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Brasil Mulheres brasileiras amamentam mais que britânicas, americanas e chinesas

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(Foto: Reprodução)

Mães brasileiras amamentam mais do que britânicas, americanas e chinesas, aponta um estudo publicado na revista britânica The Lancet.

No Brasil, a taxa de amamentação exclusiva até os seis meses, prática recomendada por organizações de saúde, é o dobro de países como Estados Unidos, China e Reino Unido, segundo o estudo. O País também lidera quando observada a taxa de amamentação até o primeiro ano de vida do bebê.

A pesquisa mostra que, em 1986, apenas 2% dos bebês brasileiros recebiam exclusivamente leite materno até os seis meses de vida. Em 2006, esse índice subiu para 39%. Para comparação, a China teve redução de 5% nesse período.

Lá, a taxa de amamentação exclusiva até os seis meses é de 28%. Já nos Estados Unidos, é de 19%. O estudo também mostra que 50% das crianças brasileiras são amamentadas até um ano. Para 25% delas, a amamentação segue até dois anos.

“O Brasil é o país que tem o maior aumento na taxa de amamentação nos últimos 30 anos. Nos Estados Unidos a taxa agora começa a aumentar um pouco. Lá, 25% [dos bebês] amamentam até um ano. Aqui é 50%”, explica o professor da Ufpel (Universidade Federal de Pelotas) e coordenador do estudo, Cesar Victora.

A pesquisa, considerada a mais abrangente já publicada, analisou dados de 153 países. Embora a comparação entre alguns deles tenha sido divulgada, não há, contudo, um ranking feito a partir dos dados desses locais.

“O que fizemos foi olhar os países que têm medidas de proteção de aleitamento. E o Brasil foi o único que cumpre com todos esses requisitos”, diz Victora, que atribui a evolução nos índices às iniciativas adotadas, nos últimos 30 anos, no Brasil para estímulo à amamentação, como aumento do tempo da licença maternidade e a rede de bancos de leite materno.

Hoje, o Brasil concentra 212 dos 292 bancos de leite humano existentes no mundo. O País também lidera no volume de doações – de acordo com o Ministério da Saúde, 89% da coleta de leite, entre os anos de 2008 e 2014, veio de doação por mulheres brasileiras.

Vírus da zika.

A coordenadora da unidade técnica de família, gênero e curso de vida da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), Haydee Padilla, afirmou que mulheres que tiveram suspeita de infecção pelo vírus da zika durante a gestação devem continuar a amamentar seus bebês. “Mães com suspeita de infecção pelo vírus da zika, durante a gravidez ou após o nascimento, devem receber apoio qualificado de profissionais de saúde para iniciar e manter o aleitamento materno, como todas as outras mães.”

A Opas, braço da OMS (Organização Mundial de Saúde), e o Ministério da Saúde recomendam que os bebês sejam amamentados exclusivamente pelo leite materno até os seis meses. Após esse período, é indicado que a amamentação ocorra junto com outros alimentos por até dois anos ou mais.

Benefícios.

Dados do estudo mostram ainda que a amamentação reduz casos de diarreia e infecções respiratórias, diminuindo as internações hospitalares em 72% e 57%, respectivamente. O aleitamento também reduz o risco de hipertensão, colesterol alto, diabetes e obesidade. Também há benefícios para a mãe, que perde peso mais rápido após o parto e ajuda o útero a recuperar seu tamanho normal, segundo a Opas. (Folhapress)

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