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Mundo Mulheres ricas da China só querem parir nos Estados Unidos

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Crescimento do turismo de nascimento entre os chineses reflete a nova riqueza da China e a incerteza de alguns de seus cidadãos sobre o futuro econômico do país. (Crédito: Reprodução)

Milhares de mulheres estrangeiras endinheiradas, a maioria chinesas, estão indo para os Estados Unidos todos os anos com o único propósito de dar à luz em solo americano. As mulheres chegam com visto de turista e normalmente voltam para casa com o bebê depois de vários meses. Mas, antes de partir com seus “bebês-âncora”, como são chamados pelos críticos, elas normalmente gastam milhares de dólares em hospitais particulares, shoppings luxuosos e apartamentos de alto padrão. Isto tem tornado essa prática, chamada de turismo de nascimento ou de maternidade, um negócio lucrativo em certas regiões dos EUA.

Em um domingo recente no shopping South Coast Plaza, em Costa Mesa, o número de mulheres falando mandarim, muitas visivelmente grávidas, era bem maior que o de outros consumidores em lojas como Chanel, Christian Dior, Giorgio Armani e outras grifes. Duas mulheres com barrigas salientes saíram da Fendi falando mandarim, uma delas empurrando um carrinho abarrotado de sacolas.

“Elas veem algo que gostam e compram”, disse Joanne Lee, um das três vendedoras que falam mandarim entre as seis que trabalham na loja da marca Coach. “Elam compram vários itens.”

Futuro econômico.

O crescimento do turismo de nascimento entre os chineses reflete a nova riqueza da China e a incerteza de alguns de seus cidadãos sobre o futuro econômico do país no longo prazo. Uma criança nascida nos Estados Unidos se torna automaticamente cidadã americana, e, de acordo com a lei federal, quando a criança completa 21 anos, ela pode solicitar visto de permanência, o “green card”, para seus familiares estrangeiros ou até mesmo a cidadania americana.

O Centro de Estudos sobre Imigração, que apoia o combate a essa prática e defende mais restrições à imigração em geral, estima que 40 mil mulheres visitem os EUA anualmente pelo turismo de nascimento, a maioria delas da China. Embora existam poucos números concretos sobre o seu impacto, esse tipo de turismo tem deixado marcas notáveis na economia regional nos últimos anos.

Investigadores federais dos EUA que fizeram inspeções em empresas do sul da Califórnia que facilitam o turismo de maternidade estimam que cada mulher paga entre 40 mil dólares e 80 mil dólares em pacotes que incluem acomodação, transporte para hospitais e auxílio para conseguir passaportes para os recém-nascidos.

Karthick Ramakrishnan, professor de políticas públicas da Universidade da Califórnia, em Riverside, estima que as mulheres gastem cerca de 1 bilhão de dólares anualmente nos EUA, um número que não inclui gastos particulares como compras e idas a restaurantes. “Essas são pessoas de posses que não vão fazer um parto em um hospital público”, observa ele.

Mesmo que algumas empresas de turismo de maternidade enfrentem processos no futuro, as mulheres chinesas, seus médicos e os hospitais onde as crianças nasceram não devem ser punidos, defende Carl Shusterman, ex-advogado federal de imigração. A ida de estrangeiras grávidas para os EUA para dar à luz é legal, embora seja considerado crime mentir para as autoridades americanas sobre o objetivo da visita para obter o visto.

Em uma noite recente, próximo à cidade de Irvine, na Califórnia, cerca de uma dezena de chinesas grávidas passeava em um parque em um complexo residencial em estilo de resort. A maioria não quis ser entrevistada, mas Wasie Su disse que terá uma filha no país em 20 de novembro e que ela está fazendo isso pelo futuro da criança, não como um plano para obter a cidadania americana. “Vale o dinheiro e o tempo gasto aqui para dar opções melhores para minha filha”, afirmou, ressaltando que tem família, amigos e empresa na China. (AG)

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