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Geral “Não cabe a mim decidir de quem é a Crimeia”, diz Lula em visita a Madri

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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e premiê espanhol, Pedro Sánchez, durante entrevista coletiva. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a se pronunciar sobre a guerra na Ucrânia nesta quarta-feira (26), após declarações prévias sobre o conflito desatarem repúdio das potências ocidentais nos últimos dias. Durante um encontro com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, em Madri, Lula disse que “não pode haver dúvida” de que o Brasil condena a invasão russa, mas que não cabe a ele decidir a quem pertence a Península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014.

Ao ser indagado por uma jornalista sobre a quem pertence a Crimeia e o Donbass – bacia no Leste ucraniano composta por Donetsk e Luhansk, territórios anexados unilateralmente por Moscou em setembro juntamente com as regiões de Kherson e Zaporíjia – Lula não deu uma resposta direta:

“Não cabe a mim decidir de quem é a Crimeia. Quando você se sentar em uma mesa de negociação, você pode discutir qualquer coisa, até a Crimeia. Mas não sou eu que vou discutir isso, quem vai discutir isso são os russos e os ucranianos.”

Lula e Sánchez responderam a duas perguntas da imprensa após uma reunião no Palácio de la Moncloa, a sede do governo da Espanha, para onde o presidente brasileiro viajou na terça após cinco dias em Portugal. Os dois líderes assinaram três memorandos de cooperação sobre educação, trabalho e desenvolvimento, mas as declarações do petista sobre a guerra voltaram a se sobressair.

A Crimeia foi anexada pela Rússia no início de 2014, após ser ocupada por tropas russas e forças pró-Moscou e em seguida à realização de um referendo unilateral. Tudo ocorreu em meio à caótica revolução que derrubou o governo pró-Moscou de Viktor Yanukovich em Kiev. Votações similares foram realizadas no ano passado por grupos ligados ao Kremlin no Donbass, em Kherson e Zaporíjia. Nenhuma delas tem resultado internacionalmente reconhecido.

A devolução das áreas é uma demanda do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, para sentar-se à mesa de negociações, mas parece improvável que os russos aceitem tais termos neste momento. Lula, que já indicou crer que ambos os lados do conflito precisam ceder para que haja uma resolução, voltou a comentar o assunto nesta quarta ao defender a criação de um “clube da paz” que faça a mediação para uma saída para o imbróglio:

“É preciso encontrar um grupo de pessoas dispostas a achar um meio de parar a guerra”, disse ele, afirmando que não há mais ninguém falando de trégua “a não ser eu, que estou gritando ‘paz’ como se estivesse isolado no deserto”. “Por enquanto há dois países em conflito dizendo que não abrem mão. Sei que não é correto usar o exemplo, mas já fiz greve onde dizia: ‘80% ou nada’. Eu ficava com nada.” As informações são do jornal O Globo.

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