Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 21 de setembro de 2019
A vitória de um grupo de assessores e funcionários do PT em um concurso da Mega-Sena trouxe euforia à Câmara dos Deputados na quinta-feira (19). Na semana que passou, um bolão de 49 cotas compradas por eles foi o ganhador do sorteio, que pagou R$ 120 milhões no concurso 2.189.
A Caixa Econômica Federal não divulga a identidade dos vencedores, mas confirmou que a aposta vencedora veio de um bolão vendido na capital federal.
O jornal “El País” registrou algumas reações de alguns vencedores, que não quiseram ter os nomes divulgados. Um motorista do PT que diz ter seis cotas (que valem cerca de R$ 15 milhões), no entanto, revelou que a ficha não caiu. “Ainda não estou acreditando. Ninguém está pronto para ficar milionário de um dia para o outro”.
“Vim trabalhar porque é o que eu sei fazer. Não consigo ficar parado. Em princípio, acho que não vou sair do trabalho”, afirmou um outro ganhador ao veículo. Ele é descendente de nordestinos e revelou não ter avisado aos familiares sobre o feito. “Quero ajudar principalmente minha mãe, que é uma pessoa pobre. Fiquei com medo de ela ter um piripaque se eu contasse que sou um ganhador”.
O ministro da Educação, Abraham Weintraub, ironizou a vitória do grupo ligado ao PT no Twitter. “Petistas na liderança do partido obtiveram R$ 120 milhões. Aparentemente, não há crime no episódio. Dúvidas: será a primeira vez que a PF não vai investigar petista que fica milionário? O PT expulsa quem fica milionário sem roubar?”, questionou ele em outra postagem. Um seguidor de Weintraub criticou a sequência de mensagens: “Troca o disco, ministro. Vá trabalhar.”
Weintraub continuou alfinetando o episódio na rede social e disse: “Dois eventos praticamente impossíveis na mesma notícia: ganhar sozinho na Mega-Sena e petista ficar milionário sem roubar…estou com medo de ver um Saci Pererê hoje”.
A postura de Weintraub foi criticada pela deputada federal Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT. “Como um ministro da Educação se dá ao trabalho de ofender trabalhadores que tiveram a sorte de ganhar um prêmio e de quebra atacar o PT? Desprezível e leviano, Weintraub deveria cuidar do ensino público brasileiro que está em decadência e se dar ao respeito”, revidou.
O deputado federal Eduardo Bolsonaro, o filho 02 do presidente Jair Bolsonaro, retuitou uma das mensagens do ministro, também em tom irônico. “A desconfiança é automática. PT já virou símbolo de roubalheira no Brasil”, provocou.
A deputada federal Benedita da Silva aproveitou a situação para alfinetar o governo. “Com as 49 vagas de trabalho que os milionários da Mega-Sena deixaram na liderança do partido, o PT vai gerar mais emprego em 2019, do que o Governo Bolsonaro”. O petista Lindbergh Farias brincou: “Filie-se ao PT e participe do próximo bolão!”.
O caso também movimentou a Câmara. Na quinta pela manhã, uma funcionária que trabalhou no Congresso entrou na sala para deixar currículo. Na reunião do grupo de trabalho do pacote anticrime na Câmara, os deputados Paulo Teixeira e Marcelo Freixo brincaram com a situação. “Freixo, o PT está precisando de assessores, não tem ninguém lá do PSOL não? Lá, só falamos de milhão pra cima”, disse Teixeira.
“Paulo Teixeira veio de Uber. Não tem ninguém para dirigir lá”, brincou Freixo, em alusão ao um motorista da liderança que ganhou parte da bolada. “Estão dizendo que Aécio (Neves) pediu a recontagem e que o Ciro (Gomes) falou que se não fosse o PT ele teria ganho”, continuou Freixo.
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