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Mundo “Não há motivo para correr”: com a pandemia sob controle, a Nova Zelândia atrasa a vacinação em massa

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A Nova Zelândia tem atualmente 95 casos ativos de Covid-19. (Foto: Reprodução)

Considerado um dos países mais bem-sucedidos no controle da pandemia de covid-19 no mundo, a Nova Zelândia só começará a vacinar sua população maciçamente no segundo semestre do ano, uma estratégia que contrasta enormemente com a política “go hard, go early” (“seja duro, haja cedo”) de prevenção, rastreamento e isolamento aplicada pela primeira-ministra Jacinda Ardern e sua equipe desde a primeira onda do coronavírus. A medida tem gerado críticas da oposição e dividido especialistas, mas boa parte dos neozelandeses permanece confiante.

“Como a Nova Zelândia está usando uma estratégia de eliminação do vírus para controlar a covid-19, há menos urgência para vacinar a população do que em países onde a pandemia é muito intensa e um grande número de pessoas está sendo infectado e morrendo a cada dia”, disse Michael Baker, professor da Universidade de Otago e um dos principais epidemiologistas do país.

Desde o início da pandemia, a Nova Zelândia registrou um total de 2.501 casos e 26 mortes por covid-19, segundo dados da Universidade Johns Hopkins. O país de 4,8 milhões de habitantes também tem uma das menores taxas de infecção por coronavírus do mundo, de 51 por 100 mil, e há mais de seis semanas não registra mortes por coronavírus.

“Nós estamos indo o mais rápido que podemos, mas também queremos garantir que a vacina é segura para os neozelandeses”, disse Ardern em uma entrevista coletiva em dezembro. “Alguns países estão concedendo autorizações de uso emergencial em resposta à emergência de saúde pública que está afetando suas nações. Obviamente, estamos em uma situação totalmente diferente aqui.”

Alguns especialistas em saúde, porém, têm pedido ao governo que acelere seu planos de imunização em consideração aos riscos apresentados por novas cepas do vírus, de disseminação mais rápida, que foram identificadas nos hotéis de fronteiras, onde são postas de quarentena as pessoas que chegam ao país.

“A Nova Zelândia está à beira de um dilema. Ela tem um sistema de quarentena com vazamento na fronteira, aumentando a exposição a cepas do vírus de de rápida disseminação, e uma estratégia de vacinação falha”, disse Des Gorman, professor de Medicina da Universidade de Auckland.

De acordo com o calendário do Ministério da Saúde neozelandês, a campanha de vacinação será dividida em quatro grupos: 530 mil trabalhadores de hotéis de fronteiras, seus familiares e profissionais da linha de frente entre fevereiro e maio; 1,7 milhão de idosos e pessoas com comorbidades a partir de maio; e o restante da população, de julho em diante.

A meta do governo é imunizar 90% dos habitantes do país até dezembro de 2021, mas cálculos do site Stuff.co indicam que o governo terá que acelerar seus procedimentos se quiser cumprir o calendário oficial — entre o início da vacinação, em 20 de fevereiro, e o dia 26 de março, foram aplicadas em média 1.220 doses por dia, totalizando 41.477 doses. Para vacinar integralmente os dois primeiros grupos prioritários até 1º de junho, esse número precisaria ser três vezes maior.

Há duas semanas, o ministro da Resposta à Covid-19, Chris Hipkins, admitiu que o número de doses diárias administradas estava “abaixo dos 2 mil”, mas permanecia “amplamente dentro do cronograma”. A razão alegada para não acelerar a campanha no momento foi evitar ter de freá-la depois.

“O que eu não quero é que cheguemos a aplicar 10 mil por dia e, em seguida, descobrirmos que só temos vacinas suficientes para aplicar 3 mil ou 4 mil por dia por um período de tempo”, afirmou.

A vacina desenvolvida pelas farmacêuticas Pfizer/BioNTech é a única aprovada até o momento para uso pela Medsafe, a agência de vigilância sanitária da Nova Zelândia. Os primeiros lotes começaram a chegar em 15 de fevereiro, com 450 mil doses das 10 milhões contratadas entregues. Outras 750 mil doses da Pfizer são esperadas até setembro.

Além disso, as autoridades neozelandesas assinaram um contrato de compra antecipada de 7,6 milhões de doses da vacina AstraZeneca, que exige duas doses, concordaram em comprar 10,72 milhões de doses da Novavax, que também requer duas doses, e assinaram um acordo de princípio com a Janssen para comprar até 5 milhões de vacinas (dose única).

“Estou feliz com a estratégia e o prazo do governo, mas apenas devido às ações anteriores”, disse Katy Cable, dona de uma escola de música em Tauranga, a cidade mais populosa da Baía de Plenty, na Ilha Norte da Nova Zelândia. “Embora seja difícil viver em uma bolha quase livre de covid-19 e ficar isolada da família no exterior, temos sorte de poder conduzir a vacinação de forma tranquila. Seria muito egoísta pensar em recebermos a vacina antes dos países com maior necessidade.”

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