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Economia Não há nada mais a esclarecer sobre caixa-preta, diz o presidente do BNDES

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Essa é a maior operação de venda de ações ocorrida no Brasil, em termos nominais, em uma década. (Foto: Arquivo/Agência Brasil)

O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Gustavo Montezano, afirmou nesta quarta (18) entender que o banco não tem, atualmente, nenhuma operação polêmica a esclarecer no processo de abertura da “caixa-preta” da instituição. Ele defendeu, porém, que trata-se de um processo contínuo, de cultura da instituição. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

A abertura da “caixa-preta” foi uma das missões conferidas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a Montezano, que tomou posse no dia 16 de julho, em substituição a Joaquim Levy, primeiro nomeado pelo governo para comandar a instituição.

“Hoje, entendemos que não há mais nenhum evento que requeira esclarecimento. A sociedade está com informação de qualidade, substancial”, afirmou Montezano, em evento para anunciar o plano trienal do BNDES.

Ele se junta a outros executivos que passaram pelo banco após o fim da gestão Dilma Rousseff e tiveram dificuldades para comprovar a tese da caixa-preta.

No governo Temer, Maria Silvia Bastos Marques evitou o assunto; já Paulo Rabello de Castro e Dyogo Oliveira negaram sua existência. “Ou sou um completo idiota ou não existe caixa-preta no BNDES”, chegou a dizer o primeiro.

Levy falou em “ter clareza sobre operações do passado”, mas não chegou a avançar na busca por operações fraudulentas.

A dificuldade foi apontada como um dos motivos para a insatisfação de Bolsonaro com sua gestão –o executivo pediu demissão após o presidente dizer em entrevista que estava “por aqui” com ele.

A “caixa-preta” foi um dos temas dominantes na campanha de Bolsonaro. Entre seus apoiadores, foi difundida a ideia de que sua abertura desnudaria malfeitos maiores do que os descobertos pela Operação Lava Jato na Petrobras.

Logo após a vitória nas urnas, o presidente eleito se comprometeu a determinar, no início do mandato, “a abertura da caixa-preta do BNDES e revelar ao povo brasileiro o que foi feito com o s eu dinheiro nos últimos anos”.

As afirmações geraram reações negativas dos funcionários do banco. Nesta quarta, diante da diretoria e superintendentes do banco, de jornalistas e convidados, Montezano abriu com o tema um balanço de seus cinco meses de gestão.

Elencou medidas para ampliar a transparência, como “exposições em jornal, campanha publicitária, entrevista sobre caso sensíveis, discutir a situação A situação B, entregar no MPF [Ministério Público Federal] a conclusão da investigação da JBS, fazer nota sobre exportação de serviços e, por fim, na semana passada, um live com o presidente”.

Na live, Bolsonaro elogiou a gestão de Montezano e voltou a criticar concessão de empréstimo para a construção do Porto e Mariel, em Cuba, obra tocada pela Odebrecht. Antes do evento desta quarta, o BNDES exibiu um vídeo sobre transparência, que termina com a frase “O BNDES está aberto”.

Segundo Montezano, pesquisas internas apontam que o processo já tem efeitos sobre a imagem da instituição. Ele frisou que trata-se de um processo de longo prazo, que envolve novos procedimentos de transparência.

“O que a gente tem colocado é que isso não é uma temporada, não é uma campanha publicitária, não é um evento por si só. Isso aqui é um marco de mudança de cultura, mudança de procedimento, de forma de interagir com essas mudanças tão sensíveis”, disse.

“Mas se porventura em algum momento futuro algum outro tema voltar à agenda publicitária, voltar a arranhar a imagem do banco, a gente virá de maneira proativa, transparente, técnica e neutra para esclarecer as informações e contribuir para o debate”, completou.

Questionado sobre a expectativa do eleitorado e do próprio governo em relação ao surgimento de novas denúncias, repetiu que é um processo permanente que envolve não só o esclarecimento de operações, mas também medidas de longo prazo, como a criação de uma diretoria de compliance (governança) e acordo de cooperação com o MPF.

“Esse processo de abertura não é algo temporal, não é agenda de uma campanha”, disse. “O que a gente implementou aqui é uma cultura, é um processo é uma estratégia que veio para ficar permanentemente no banco”, afirmou.

 

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