Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 30 de setembro de 2023
O general da reserva Ridauto Lúcio Fernandes prestou quatro horas de depoimento à Polícia Federal (PF), logo após ser alvo de mandado de busca e apreensão na sexta-feira (29). Após a oitiva, o militar do Exército disse não ter nada a temer e que a ação da PF na casa dele transcorreu de forma tranquila.
“Foi tudo muito tranquilo. Os policiais [federais] cumpriram a missão deles. Lá em casa foi tranquilo, recebi a equipe lá. Foram muito cordiais”, declarou o general à CNN.
Sobre o vídeo em que aparece nos ataques de 8 de janeiro celebrando as invasões nas sedes dos Três Poderes, disse que não pode se manifestar porque o caso investigado está sob sigilo.
Na sexta, a Polícia Federal cumpriu um mandado de busca e apreensão contra o general da reserva Ridauto Lúcio Fernandes, ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde. O Supremo Tribunal Federal (STF) também autorizou o bloqueio de bens do general.
Ridauto entrou no ministério em janeiro 2021, durante a gestão de Eduardo Pazuello. Começou como assessor no Departamento de Logística, depois foi puxado para a assessoria especial de Pazuello.
Quando o ex-ministro deixou o cargo, Ridauto voltou para o departamento de Logística, dessa vez como diretor, já na gestão de Marcelo Queiroga. Ficou na função até o fim do mandato de Jair Bolsonaro. No Exército, o general foi comandante da 7ª Brigada de Infantaria Motorizada.
Ridauto prestou depoimento na PF, após ser intimado pela corporação durante as buscas. Durante a ação, o general também teve dois celulares, duas armas regulares e o passaporte apreendidos pelos agentes.
Segundo informações da TV Globo, o militar teria se assustado com o cumprimento do mandado, mas não causou dificuldade à equipe de policias federais.
Para a investigação, o general é considerado executor e possivelmente um dos idealizadores dos atos extremistas.
No inquérito policial, existem vários depoimentos de vândalos presos relatando a ação de indivíduos de balaclava e luvas ajudando e incentivando os demais a entrarem no Congresso Nacional.
Segundo os depoimentos, eles chamaram os invasores depois de abrirem as escotilhas de acesso ao teto do Congresso Nacional. A subida até lá só teria sido possível por causa de uma escada feita com gradis amarrados. Os investigadores suspeitam do envolvimento do general da reserva com este grupo “invisível” que abre acessos especiais para a invasão do Congresso.
O general Ridauto afirmou em depoimento à Polícia Federal que participou dos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, como “qualquer outro manifestante” e que deixou a praça antes do início das depredações.
No entanto, os investigadores apontam que o depoimento do general não é coerente com as imagens que ele mesmo produziu no dia 8 de janeiro.
Em imagens obtidas pela TV Globo, Ridauto falou do uso de gás lacrimogêneo pela Polícia Militar do Distrito Federal, enquanto estava na praça dos Três Poderes. “Acreditem, a PM jogou gás lacrimogêneo na multidão por meia hora”, diz ele no vídeo.
As investigações apontam que o militar fazia parte dos denominados “kids pretos” que integravam cargos de alto escalão no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. A nomenclatura – também chamada de “forças especiais” (FE) – definiria militares da ativa ou da reserva do Exército, especialistas em operações especiais.
Os “kids pretos” passam por formação no Comando de Operações Especiais em Goiânia, em Goiás, ou na 3ª Companhia de Forças Especiais, em Manaus, no Amazonas.
Como parte do treinamento, os “kids pretos” aprendem a atuar em missões com alto grau de risco e sigilo, como em operações de guerra irregular – terrorismo, guerrilha, insurreição, movimentos de resistência, insurgência.
Além disso, são preparados para situações que envolvam sabotagem, operações de inteligência, planejamento de fugas e evasões. As informações são da CNN, do portal de notícias G1 e do jornal O Globo.
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