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Colunistas Neoliberalismo

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No Brasil, o neoliberalismo foi a marca dos governos de Fernando Henrique Cardoso. (Foto: Miguel Ângelo/CNI)

Neoliberalismo é o que você quer que seja. Há uma definição de neoliberalismo para cada gosto. Nele, parecem caber todas as formas, variantes e modelos do capitalismo, principalmente as mais cruéis. Começa pelo fato de que – a rigor – ninguém se declara neoliberal. Então se trata de uma doutrina econômica estranha e imprecisa, que não tem seguidores.

E no entanto, a expressão não perde a vitalidade, é cada vez mais usada e repetida, desde que começou a aparecer nos idos de 90 do século passado. O detalhe bizarro é que – uma vez que ninguém se diz neoliberal – o uso (e o abuso) só se faz pelos seus críticos, em geral enquistados na esquerda.

Nas redes sociais, por exemplo, onde tudo é possível, um usuário, provavelmente eleitor de Ciro Gomes, sustenta que ele terá de enfrentar três vertentes do neoliberalismo, a saber: o bolsonarismo, o globalismo e o petismo(?). Sim, sobrou até para o PT que, no caso, foi quem mais propagou o termo no seu significado depreciativo, a corrente maligna capaz de maiores vilanias do que o capitalismo comum.

Nessa via, neoliberal é um sujeito desagradável, dado à prática do mal, egoísta, que não tem limites para a ganância e cuja riqueza se faz à custa dos pobres e excluídos, e que pouco se importa com a pobreza e a desigualdade no mundo.

No Brasil, o neoliberalismo foi a marca dos governos de Fernando Henrique Cardoso – mas há controvérsias.

Os neoliberais, por definição, propõem a redução dos controles e regulações estatais, um obstáculo ao livre fluir das forças e práticas do mercado. Os neoliberais, por instinto, repelem as regulações estatais. E no entanto, no governo de FHC se criaram e expandiram as agências reguladoras, uma forma escancarada de intervenção do estado na ordem econômica privada.

O neoliberalismo é contra os programas de proteção social, dizem. Mas foi exatamente com FHC que esses programas avançaram – depois condensados no Bolsa Família, o exitoso (ao menos durante algum tempo) programa assistencial dos governos do PT. Essa foi uma das “heranças malditas” do neoliberalismo, cantadas em prosa e verso pelo lulopetismo.

O neoliberalismo é – decerto – o controle da inflação, o equilíbrio fiscal, a busca da eficiência da máquina pública. No senso comum, esses postulados são virtuosos. Mas não entre as esquerdas, que os desprezam, ignoram e combatem tenazmente.

As privatizações dos governos de FHC são – no universo dos seus críticos – privatarias. Mas é preciso muito queixo-duro, ainda, para enxergar vantagens no sistema estatal de telefonia (mais de 20 companhias estaduais) ou nos cerca de 20 bancos estaduais privatizados – paraísos de má gestão, de domínio de interesses oligárquicos, de créditos mal concedidos, fontes inesgotáveis de desvios e corrupção, e de falanges do funcionalismo, com estabilidade de emprego, bons salários e benefícios inacessíveis aos comuns mortais.

Neoliberalismo é uma expressão vaga, sem maior rigor conceitual. O seu uso (e abuso) é meramente retórico e propagandístico. Neoliberalismo é o velho capitalismo, só que pior e mais perverso.

titoguarniere@outlook.com

Twitter: @TitoGuarniere

 

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