Quarta-feira, 27 de maio de 2026

Porto Alegre

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Brasil Ninguém imaginava que quatro estudantes de uma mesma turma integrariam a cúpula de um governo

Compartilhe esta notícia:

Jorge Oliveira, da Secretaria-Geral, foi colega de outros três envolvidos no governo Bolsonaro. (Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil)

Há mais de 30 anos, no pelotão de boinas vermelhas que se formava no pátio do Colégio Militar de Brasília (CMB) às sextas-feiras para hastear a bandeira e cantar o Hino Nacional, ninguém imaginava que quatro estudantes de uma mesma turma integrariam a cúpula de um governo. Atualmente auxiliares de confiança do presidente Jair Bolsonaro, os ministros Jorge Oliveira (Secretaria-Geral da Presidência), Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) e Wagner Rosário (Controladoria-Geral da União), e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), delegado Rolando Alexandre de Souza, estudaram juntos na turma de 1986 a 1992.

As relações pessoais de mais de três décadas fazem com que os três ministros sejam vistos como um núcleo à parte pelos demais colegas do Executivo. Eles se conheceram quando tinham entre 11 e 12 anos. Wagner e Tarcísio deixaram o colégio no último ano para cursar a Escola Preparatória de Cadetes do Exército em Campinas (SP). Depois, estiveram na mesma turma na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), entre 1993 e 1996.

Já Rolando, o atual diretor-geral da PF, também filho de militar e integrou o grupo por apenas dois anos até se mudar para o Rio de Janeiro. Em 1989 e 1990, na sétima e oitava séries, estudou na mesma classe que Tarcísio. Talvez por isso seja pouco lembrado entre os colegas. Os dois só se reencontram recentemente no governo.

A turma de 1992 (ano de formatura), que chegou a ter cerca de 300 alunos divididos em 12 classes, foi batizada de Machado de Assis. “Era uma homenagem ao escritor, mas também uma irreverência porque tínhamos um sargento chamado Machado e um major Assis como monitores de disciplina”, disse Oliveira, que, após se formar, ingressou na Academia da Polícia Militar do Distrito Federal.

O fato de uma única turma ter emplacado tantos integrantes na cúpula de um governo é considerado uma façanha tanto pelo Colégio Militar quanto por colegas do trio. Os alunos da turma de 1992 se reúnem em um grupo de WhatsApp com 137 participantes. A cada semestre, costumam se encontrar no restaurante Xique-Xique, especializado em comida nordestina, na Asa Sul, em Brasília. Quando possível, o grupo marca presença nas festas dos anos 1980 promovidas por outro colega da turma, o publicitário e produtor de eventos Paulo Bandeira.

“O pessoal vibra com essa história de três ministros. Eles têm méritos, mas isso demonstra o quanto o Colégio Militar foi importante. Ensinou determinação, concentração, disciplina e patriotismo”, disse Bandeira. Nos encontros, uma das histórias mais repetidas é a do professor que na chamada dizia “Uagnes” ao ler o nome de Wagner.

Em breve, a turma de 1992 pode ter um ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Na terça-feira (20), Oliveira será sabatinado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. No dia seguinte, o nome dele será votado em plenário. Se aprovado, ficará com a vaga que será aberta com a aposentadoria do ministro José Múcio Monteiro, em 31 de dezembro.

Indicação

“De fato, Tarcísio, Wagner e eu sermos ministros é uma grande coincidência, mas outros colegas, certamente, também poderiam ser ministros com tranquilidade. Isso é fruto da formação que tivemos”, disse Oliveira, que deu um empurrão para a “coincidência” ocorrer graças à relação próxima com o presidente.

A relação com a família Bolsonaro permitiu a ele entregar o currículo dos dois colegas do Colégio Militar ao presidente, que assumiu afirmando que iria montar um ministério técnico. Wagner é servidor de carreira da CGU; Tarcísio é consultor Legislativo da Câmara. Colaborou o fato de os indicados também serem egressos da Aman e, como Bolsonaro, terem alcançado a patente de capitão do Exército.

Apesar de ser defensor dos colégios militares como modelo de educação, Bolsonaro só soube da coincidência depois, contam os ministros. Assim, Wagner, que já era ministro do ex-presidente Michel Temer, seguiu à frente da CGU.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Julgamento do caso do traficante do PCC no Supremo cutucou velhas feridas e abriu outras de difícil cicatrização
O uso desenfreado de antibióticos na pandemia pode levar a um “apagão” contra bactérias resistentes
Pode te interessar