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Brasil No aniversário de dois anos do afastamento de Dilma pelo impeachment, Michel Temer vai celebrar as ações do governo

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Evento apresentará uma "prestação de contas" da atual gestão. (Foto: Alan Santos/PR)

Em tom de campanha eleitoral antecipada, o presidente Michel Temer convocou uma reunião ministerial para a semana que vem, com o objetivo de celebrar os dois anos de seu governo, iniciado no dia 12 de maio de 2016 com o afastamento provisório da então presidenta Dilma Rousseff, por decisão do Senado (e depois definitivo, pela Câmara dos Deputados).

O objetivo do evento, realizado a partir de um roteiro publicitário focado em resultados da atual gestão, é apresentar uma espécie de “prestação de contas”.

Além de ocorrer na data-símbolo da despedida da petista (e do partido, que estava no comando do Executivo federal desde 2003, com Luiz Inácio Lula da Silva), o encontro contará com peças publicitárias produzidas pelo governo para exaltar a conclusão de obras nas cinco Regiões brasileiras.

Um dos “feitos” de Temer incluídos no material será a inauguração de uma etapa das obras da transposição do Rio São Francisco. Ele também pretende apresentar números atuais da economia para exaltar o controle da inflação e a retomada do crescimento, sob a alegação de que assumiu o cargo com o País mergulhado na maior recessão de sua história recente.

A escolha da terça-feira, 15 de maio, teria sido motivada, segundo fontes do Palácio do Planalto, pela avaliação de que essa seria a melhor data para a reunião porque o emedebista deseja contar com todos os titulares de pastas do primeiro escalão no evento.

Filme

O aniversário de dois anos da saída de Dilma Rousseff da Presidência da República será marcado, ainda neste mês, pela estreia do documentário “O Processo”, de Maria Augusta Ramos, no circuito comercial. O filme acompanhou os bastidores do impeachment, desde a aceitação do processo pela Câmara dos Deputados, em 17 de abril de 2016, até a consumação da queda da petista pelos votos do Senado, em 31 de agosto do mesmo ano.

Em fevereiro deste ano, “O Processo” foi apresentado em primeira-mão e premiado pelo público em terceiro lugar na sua categoria no Festival de Berlim (Alemanha). A sua primeira sessão pública nacional ocorrerá neste domingo, às 17h, dentro da programação da 23ª edição do festival de documentários “É Tudo Verdade”, no Instituto Moreira Salles, em São Paulo.

Um dos enfoques do documentário é a polarização masculino-feminina, aspecto presente em diversos momentos do início ao fim do filme, seja nos discursos pró-Dilma de deputadas mulheres como Jandira Feghali e Maria do Rosário ou do deputado assumidamente homossexual Jean Wyllys na votação da Câmara dos Deputados.

Em contraponto, várias cenas destacam a agressividade verbal masculina de vários de parlamentares que votaram a favor da deposição da petista. Seja na polarização entre Gleisi Hoffmann e a advogada de defesa do impeachment, Janaina Paschoal, ou nos flagrantes de momentos em que Dilma se faz acompanhar por mulheres aliadas e receber flores de mulheres anônimas na entrada do Palácio do Planalto, em 19 de abril de 2016.

 

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