Segunda-feira, 21 de Setembro de 2020

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Notícias No depoimento dos últimos três réus do caso Bernardo, a madrasta do menino inocentou o marido e disse que a morte da criança foi acidental

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Além de Graciele (E), foram ouvidos Evandro (C) e Edelvânia (D). (Foto: Divulgação/TJ-RS)

Nessa quinta-feira, quarto dia de julgamento dos quatro acusados pela morte do menino Bernardo Boldrini, três dos quatro réus foram interrogados no Fórum da Comarca de Três Passos (RS), onde viviam os réus e a vítima. A oitiva se concentrou sobre a madrasta do garoto, a amiga dela e o irmão desta última.

O médico Leandro Boldrini, pai do garoto assassinado abril de 2014, já havia sido ouvido na véspera, bem como três testemunhas que mantiveram algum tipo de proximidade com ele. Considerado pela Polícia Civil e pelo Ministério público como mentor do crime, ele negou envolvimento e atribuiu a responsabilidade às duas mulheres.

Embora não haja uma previsão oficial, o TJ-RS (Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul) estima que o júri deve chegar a um veredito nesta sexta-feira, encerrando assim um dos processos criminais de maior impacto junto à opinião pública do País na história recente do País.

Graciele

O depoimento da enfermeira Graciele Ugulini, considerada a principal responsável pela morte do enteado de 11 anos, abriu os trabalhos do dia no Tribunal. A sua defesa não permitiu que o Ministério Público fizesse perguntas a ela, que se limitou a responder questionamentos da juíza Sucilene Engler e das defesas dos demais acusados.

Chorando o tempo todo, a madrasta disse que “amava Bernardo como um filho” e que passara por um trauma após um aborto espontâneo. Ela também relatou ter sofrido de depressão por conta da sobrecarga de trabalho do marido, Leandro Boldrini.

Ainda segundo ela, a morte de Bernardo não foi premeditada, mas acidental, por ingestão excessiva de remédios. Ao perceber que o menino estava sem sinais vitais, ela insistiu para que Edelvânia a ajudasse: “Em nome da nossa amizade, ela me ajudou a cavar o buraco para enterrar o corpo”.

Graciele também isentou de culpa o marido (“Pensei em contar para o Leandro, mas tive medo da reação”) e o irmão de Edelvânia (que ela garante ter conhecido pessoalmente somente nesta semana, durante as sessões do júri).

Edelvânia

Já a assistente social Edelvânia Wirganovicz, amiga da madrasta de Bernardo, inocentou o irmão e disse que a sua participação no crime se limitou a indicar e cavar a cova rasa onde o corpo foi enterrado. Em determinado momento, ela desmaiou e o interrogatório foi suspenso para que fosse prestado atendimento médico. Ao retornar, não respondeu mais nenhuma questão.

A acusada também afirmou que acobertava um relacionamento extraconjugal de Graciele em Frederico Westphalen, município onde o corpo do menino foi encontrado – no dia do crime, a amiga teria um encontro com o amante mas alegou ao marido que Leandro que iria até a cidade para comprar um televisor, tendo que levar o enteado junto por determinação do marido.

Ela corroborou a versão de Graciele de que Bernardo recebeu a medicação excessiva no carro, de forma não intencional, após “surtar”. Edelvânia teria insistido para levar o menino a um hospital, mas a madrasta do garoto a impediu, sob ameaças, ao ver que a criança estava “sem pulso”.

Edelvânia negou ter recebido pagamento antecipado pela cumplicidade (mas não negou o pagamento posterior) no crime e disse ter sido coagida pela polícia a confessar o crime, sob promessa de não ser presa, e que não contou com a presença de um advogado em seu primeiro depoimento.

Evandro

O motorista Evandro Wirganovicz, irmão de Edelvânia e apontado como responsável pela abertura da cova rasa onde o corpo de Bernardo foi ocultado, foi o último réu a ser ouvido. O Ministério Público também não pode fazer perguntas ao acusado, que respondeu aos questionamentos da juíza Sucilene Engler e dos advogados de defesa dos outros acusados.

Em um depoimento mais breve que os demais, ele voltou a negar participação no crime e chorou ao alegar que só soube do crime ao ser preso e que na época a sua filha tinha apenas 1 mês. “Perdi tudo. Deus sabe que eu não devo, nunca fiz nada de errado. Quem fez, sabe que tem que pagar. O que eu sei é o que a mídia falou”, declarou.

O crime

Conforme o Ministério Público, o pai e a madrasta de Bernardo planejaram e participaram diretamente da execução do crime em todas as etapas, com o auxílio da amiga e do irmão dela (mediante oferecimento de vantagens financeiras). Eles teriam conduzido a vítima até o local de sua morte (decorrente de overdose induzida de sedativos por via oral e intravenosa), além de combinaram versões para apresentar álibis.

O crime teria sido motivado pelo fato de o casal não querer partilhar com a criança os bens deixados pela mãe dele (que havia se suicidado em 2010) e porque o garoto era considerado “um estorvo” e um empecilho à nova configuração familiar decorrente do segundo casamento do pai, que gerou uma filha, meia-irmã de Bernardo.

(Marcello Campos)

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