Sexta-feira, 19 de junho de 2026

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Armando Burd No famoso reino das conveniências

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As sessões plenárias da Câmara dos Deputados precisam ir muito além dos discursos muitas vezes vazios. (Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados)

Os partidos no Brasil se dividem em algumas categorias: 1) os de aluguel, tradicionais frequentadores do balcão de negociações; 2) os de um dono só; 3) os de vários chefões, sendo um em cada Estado; 4) os que têm os sonhos como o esporte preferido; 5) os que ninguém sabe definir.

Mordida

A reforma tributária não pode deixar de revisar este absurdo: na conta de energia elétrica de casa ou paga por empresário para manter seu negócio estão incluídos 45 por cento de impostos.

Radiografia

O Estado arrecada muito em tributos, comendo a poupança privada que fica sem caixa para investir.

Artimanha

Os que concorrerão a câmaras municipais e prefeituras percorrem a Assembleia Legislativa em busca de padrinhos e madrinhas. Pedem apoio a parlamentares, prometendo reciprocidade nas eleições de 2022. As ofertas são tentadoras e levarão alguns a praticar uma divisão. Em um mesmo município, cada assessor de gabinete fará campanha por um candidato diferente.

Para não correr riscos

Os partidos começam a escolher os tesoureiros para as campanhas, usando lupa. Com o aumento do Fundo Eleitoral para tentadores 2 bilhões de reais, a responsabilidade pela utilização significará andar à beira do abismo.

Há muito por fazer

Quem acompanha as sessões plenárias do Senado e da Câmara dos Deputados pela TV deve imaginar que o país voa em céu de brigadeiro. Muitas homenagens, comentários sobre buracos de ruas e brigas partidárias infrutíferas.

Na Câmara, estão à espera de decisões projetos como o da autonomia do Banco Central, protocolado em 1989; a nova Lei do Gás, de 2013; Lei de Finanças Públicas, de 2016; Lei de Concessões, de 2017; Planos de Equilíbrio Fiscal e da simplificação da legislação de câmbio e governo digital, de 2019.

No Senado, andam a passos de tartaruga o Marco Legal do Setor Elétrico, desde 2016; o novo Marco Legal de Ferrovias; reformas do pacto federativo com a descentralização de recursos da União para estados e municípios, além dos fundos públicos, que entraram na fila em 2019.

Há mais de um ano, aguardam no Congresso a quebra do monopólio da Casa da Moeda e o Programa Emprego Verde Amarelo.

Efeitos

Há dez anos, 42 milhões e 565 mil brasileiros pagavam aos planos privados de saúde para fugir das filas do SUS. Em 2015, passaram a ser 49 milhões e 280 mil. O número caiu para 47 milhões em dezembro de 2019, quando houve divulgação do último levantamento.

Pesaram os aumentos das mensalidades e o dinheiro que começou a desaparecer.

Surpresas

Há dois fatos postos na vitrine:

1ª) o presidente Jair Bolsonaro está sem partido e não consegue criar o seu. A impressão, quando deixou o PSL a 19 de novembro do ano passado, era de que o Aliança pelo Brasil conseguiria as 500 mil assinaturas sem dificuldades.

2ª) a oposição no Congresso está em busca de uma bússola.

Posições opostas

Em Porto Alegre, o PT enfrenta escassez. Em Salvador, há cinco pretendentes querendo a vaga de candidato à Prefeitura. A lista inclui Juca Ferreira, ex-ministro da Cultura, o deputado estadual Robinson Almeida e a secretária estadual de Promoção da Igualdade Racial, Fabya Reis. A preferência do governador Rui Costa, manifestada ontem, recai sobre a major Denice Santiago, da Polícia Militar. A rejeição foi imediata: ela se filiou ao PT na última quinta-feira e os demais têm história no partido.

Deu no site

Deputados criticam participação de Bolsonaro na manifestação deste domingo.”

Era apenas e tão somente o que o presidente desejava.

Sem demagogia

Entre tantos pedidos de registro na Justiça Eleitoral, falta o do Partido da Sinceridade. O slogan poderia ser: não pergunte o que o governo pode fazer por você.

 

 

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