Quarta-feira, 27 de maio de 2026

Porto Alegre
Porto Alegre, BR
17°
Fair

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Notícias No julgamento do caso Bernardo, depoimentos de testemunhas foram divergentes sobre a relação do menino com o pai

Compartilhe esta notícia:

Primeira testemunha a falar foi uma empresária que eventualmente acolhia o menino. (Foto: Márcio Daudt/TJ-RS)

Nessa terça-feira, o Fórum da Comarca de Três Passos, a 473 quilômetros da Capital, foi palco do segundo dia de julgamento dos acusados pelo assassinato do menino Bernardo Boldrini, em abril de 2014. Pela manhã, a terceira testemunha indicada pelo MP (Ministério Público), a empresária Juçara Petry, pediu que os quatro réus não estivessem no recinto quando ela respondesse aos questionamentos.

Chamada de “Tia Ju”, ela era considerada uma espécie de segunda figura materna para o garoto, cuja mãe biológica havia se suicidado e a madrasta mantinha uma relação problemática com ele. “Para nós, o Bernardo era como um filho”, afirmou, ressaltando que a criança dormia com frequência na casa dela e costumava chegar sujo e sempre com a mesma roupa, o uniforme do colégio. “Quando ele desapareceu, achei que tinha fugido.”

À tarde, outras seis testemunhas responderam a questionamentos da acusação e da defesa. A primeira a falar foi a empregada doméstica Lori Heller, que trabalhou na residência do médico Leandro Boldrini quando ele ainda era casado com a mãe da criança, Odilaine Uglione. Hoje com problemas de saúde, Lori falou brevemente e limitou-se a dizer que o dono da casa “era um bom pai” e que não chegou a conhecer a madrasta do garoto, também acusada pelo crime.

Em seguida, foi a vez da técnica de enfermagem Cecília Henz, que trabalhou no consultório do pai de Bernardo. Segundo ela, a relação do patrão com o filho “era tranquila” e que desconhecia problemas familiares envolvendo os Boldrini. Relatou, porém, que a madrasta da criança trabalhava na higienização de materiais e tinha acesso aos medicamentos. Contou, ainda, que certa vez deu falta de alguns remédios – o menino foi morto com uma overdose de sedativos.

Tom ameaçador

Já a ex-secretária do consultório Andressa Wagner disse ter ouvido declarações da madrasta de Bernardo sobre qurer “mandar matar” Bernardo depois que o menino pediu socorro à Justiça (meses antes de seu assassinato), alegando abandono. “A Graciele bateu forte na mesa, dizendo que tinha dinheiro para contratar um matador de aluguel.”

Ela e a ex-colega Cecília disseram ter cogitado procurar a Polícia Civil de Três Passos para denunciar essa atitude da segunda mulher de Leandro Boldrini, mas desistiram por não acreditar que ela estivesse falando sério. “Nunca imaginamos e, até hoje, é difícil acreditar”, disse Andressa. “Fico muito emocionada de falar sobre isso”, completou Cecília, com a ressalva de não acredita na participação do médico no crime.

Por fim, depôs Rosangela Pinheiro, que trabalhava no hospital de Três Passos. “O meu relacionamento com o doutor Leandro Boldrini era estritamente profissional e vi o Bernardo poucas vezes no hospital, em 2014”, respondeu ao promotor de Justiça.

O julgamento – que deve prosseguir pelo menos até esta sexta-feira – chega ao seu terceiro dia nesta quarta-feira, a partir das 9h. Ao longo da sessão no Fórum de Três Passos, mais seis testemunhas de defesa devem ser ouvidas pela defesa.

O crime

Bernardo Uglione Boldrini tinha 11 anos quando recebeu uma overdose de sedativos, no dia 4 abril de 2014, em Três Passos, cidade onde vivia com o pai e a madrasta em uma casa na área central da cidade. A família comunicou o desaparecimento e o corpo do estudante foi encontrado dez dias depois, em uma cova à beira de um riacho no município de Frederico Westphalen.

Leandro Boldrini, pai de Bernardo, é considerado pela Polícia Civil e Ministério Público como o mentor do crime, que teria sido cometido por sua segunda mulher (madrasta do menino), com a ajuda da amiga (mediante pagamento) e do irmão desta última.

Situação

Órfão de mãe e vivendo com o pai e a madrasta, Bernardo se dizia carente de atenção. Ele chegou a procurar a Justiça para reclamar do tratamento que recebia do casal e pedir para morar com outra família.

No início de 2014, após o Ministério Público instaurar uma investigação contra o homem por negligência afetiva, abandono e agressão (esta última não constatada), a Vara da Infância e Juventude de Três Passos autorizou que o garoto continuasse morando com o pai.

A avó materna chegou a se oferecer para assumir a guarda, em vão: o médico conseguiu uma “segunda chance”, com a promessa de que tentaria reatar os laços familiares com o filho. (Marcello Campos)

 

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Notícias

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Renault, Nissan e Mitsubishi revisam sua aliança agora sem o brasileiro Carlos Ghosn
Bolsonaro negou que a liberação da verba de 1 bilhão de reais para as emendas parlamentares seja para conseguir apoio e aprovar a reforma da Previdência
Pode te interessar