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Saúde Novo tratamento promissor contra o câncer de pulmão é aprovado pela Anvisa; entenda

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O consumo de cigarro é a principal causa do câncer de pulmão. (Foto: Reprodução)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta sexta-feira (3) um novo tipo de tratamento para câncer de pulmão inicial. Desenvolvido pela farmacêutica Roche, o atezolizumabe é a primeira imunoterapia indicada para esse estágio da doença, que estava sem inovação há 16 anos.

A droga já estava disponível no Brasil para o tratamento de câncer de pulmão avançado, entre outras indicações.

“É uma imunoterapia reconhecidamente eficaz, que já vem sendo usada para pacientes com metástase e que fez uma grande diferença no tratamento do câncer de pulmão”, afirma Clarissa Baldotto, diretora executiva do Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica e oncologista clínica da Rede D’or do Rio de Janeiro. “Geralmente, na oncologia, esse é o curso dos tratamentos: começam na doença avançada e depois entra como adjuvante para diminuir a chance de a doença voltar.”

O novo tratamento é indicado para pessoas com câncer de pulmão não pequenas células, que é o tipo mais prevalente, sendo responsável por 85% dos casos. Além disso, os pacientes elegíveis ao tratamento precisam apresentar o biomarcador PD-L1, que também está presente na maior parte deles. A presença desse marcador aumenta a chance de resposta à imunoterapia.

O atual padrão de tratamento de câncer de pulmão inicial é a cirurgia para remoção do tumor, seguida da quimioterapia. A imunoterapia se une a esses dois pilares, estimulando o sistema imunológico do próprio paciente a combater o tumor.

O estudo que levou à nova aprovação do medicamento mostrou que seu uso, associado a quimioterapia após cirurgia, reduziu de forma inédita o risco de recorrência da doença ou morte em 34% dos pacientes, o que significa ganhar mais tempo de vida. Segundo Baldotto, o câncer de pulmão é um tumor muito agressivo.

“Mesmo nos pacientes com doença inicial, o índice de recidiva é muito alto. Essa aprovação tem como objetivo aumentar as chances do controle da doença”, diz a médica.

Alta letalidade

A chegada do remédio ganha força pela alta letalidade do câncer pulmonar, que é o tipo que mais mata em todo o mundo – cerca de 25% das mortes ocasionadas por câncer são causadas por tumores no órgão respiratório, o que equivalente a 1,8 milhão por ano, quase 30 mil apenas no Brasil. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de pulmão é o que ocasiona mais mortes de homens no país e o segundo mais letal entre as mulheres, atrás somente dos tumores de mama.

Além da agressividade, um dos motivos da alta letalidade é porque o diagnóstico costuma ser tardio. Em geral, a doença é silenciosa. Quando os sintomas aparecem — como tosse persistente, catarro com sangue e falta de ar –, a doença já está avançada ou sofreu metástase. Para piorar, até pouco tempo atrás, não haviam muitas terapias efetivas. Isso vem melhorando a cada ano, com o surgimento de terapias-alvo e da imunoterapia. A principal causa de câncer no pulmão é o tabagismo. Portanto, não fumar e não ficar próximo de quem fuma é o principal método para evitar a doença.

Para fumantes e ex-fumantes, a recomendação é começar a rastrear a doença a partir dos 50 anos. Quando identificado precocemente, as chances de cura são maiores. O diagnóstico é feito por meio de exames de imagem, como raio-x e tomografia computadorizada do tórax. O tumor é identificado por meio da biopsia e passa também por um exame molecular para identificar os fatores que contribuem para seu desenvolvimento, e assim indicar o melhor tratamento.

Câncer em não fumantes

Embora 80% dos tumores de pulmão estejam associados ao tabagismo, 20% deles são diagnosticados em não fumantes. Um estudo avaliou as causas dos cânceres não relacionados ao cigarro. Publicado na revista científica Nature Genetics e conduzido por uma equipe internacional liderada por pesquisadores do Instituto Nacional do Câncer dos EUA (NCI), a pesquisa descreve pela primeira vez três subtipos moleculares de câncer de pulmão em pessoas que nunca fumaram.

As descobertas ajudarão a desvendar o mistério de como o câncer de pulmão surge em pessoas que não têm histórico de tabagismo e podem orientar o desenvolvimento de tratamentos clínicos mais precisos. Esse tipo de doença surge do acúmulo de mutações causadas por processos naturais no corpo e é mais comum em mulheres em idade mais precoce.

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