Sexta-feira, 03 de Julho de 2020

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Cultura Nudes, selfies e vício: como lidar com adolescentes fascinados pela internet

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Pais precisam ser guias de seus filhos nessa jornada, diz autora. (Foto: Reprodução)

Meu filho pode ficar viciado em redes sociais? Como posso evitar que ele tenha acesso a pornografia na internet? Esses são só alguns dos questionamentos que a jornalista Brenda Fucuta traz logo na introdução do livro “Hipnotizados – O que os nossos filhos fazem na internet e o que a internet faz com eles” (Editora Objetiva). Ela conversou com dezenas de especialistas em tecnologia, comportamento, direito e psicologia, além de pais, mães e adolescentes, para tratar de questões como “nudes”, selfies, machismo, violência nas redes e limites. Para Brenda, não há dúvidas de que os pais precisam ser guias de seus filhos nessa jornada. As informações são do jornal O Globo.

Uma adolescente diz no seu livro que, para a atual geração, mandar “nudes” é quase igual a dar um abraço. É assim mesmo que funciona? “Temos que entender o contexto de uma fala adolescente. Ela traz um tanto da verdade, de como eles enxergam esse assunto, mas também traz um tanto de exagero próprio da adolescência, de contestação de um valor adulto. Há muitos garotos e garotas que dizem não mandar, ou que não admitem fazer isso. E outros que até criticam essa prática”, diz Brenda.

A autora também traz dados de uma cartilha sobre “sexting” (a troca de mensagens de texto, fotos e vídeos sensuais) e como fazer isso de forma segura. Existe “sexting” seguro? “O grupo que elaborou a cartilha partiu do princípio de que é impossível acabar com a prática do ‘sexting’. Se os adultos fazem, os adolescentes farão ainda mais, pois estão na fase de quebrar regras e experimentar. Se é seguro ou não… O que eu acredito é que, com certeza, pode ser mais seguro. O sexo seguro também não é ‘à prova de balas’, mas é a ele que devemos recorrer. As dicas da cartilha são práticas, e eu gosto da ideia que os pais possam conversar com os filhos sem amedrontá-los ou proibi-los. Falar sobre ‘sexting’ seguro é uma maneira de trazer a questão. Não só com as meninas, mas com os garotos também, eles precisam participar da conversa. Os filhos homens têm que ser envolvidos, pois há muitos que recebem ‘nudes’ e compartilham. São eles que precisam saber, por exemplo, o que isso provoca na vida de uma menina.”

“É preciso pensar que o jovem está usando a tecnologia para fazer aquilo que todo adolescente sempre fez: sair da proteção dos pais e ir em busca do seu próprio caminho. Ele precisa fazer isso para formatar a sua história e, obviamente, usa os recursos que possui. Esta geração tem um recurso fabuloso, um aparelho que consegue colocar todos em rede, onde eles podem se esconder dos pais e se conectar com os amigos, espantar o tédio com entretenimento, jogar… Seu filho adolescente vai fazer com isso tudo aquilo que você já fez nessa fase: correr mais riscos, aprender a etiqueta social, testar os valores que herdou dos pais para ver se são realmente os que ele acredita e vai seguir. Nesse momento, os pais precisam confiar em si mesmos e atuar para passar os valores que acreditam ser adequados”, diz.

Questionada sobre se adultos que usam mais e procuram saber mais sobre as novas tecnologias tendem a se sair melhor, a autora afirma: “Eu acho que um caminho é mesmo se informar mais e saber usar melhor. Não significa que seu filho adolescente vai te respeitar mais por isso, mas certamente essa atitude vai influenciar na dinâmica de como a família toda usa as tecnologias. Você vai começar a olhar as coisas de maneira diferente, e isso vai se refletir nessa questão de como lidar com o uso que o jovem faz.”

“É possível ativar controles parentais para a programação que talvez muitos adultos não usem por desconhecimento. Desconhecemos aquilo que está nos maravilhando tanto, que é a tecnologia. Muitos não procuram saber sobre os mecanismos que nos fazem ficar tão dependentes de determinados conteúdos, por exemplo. Não é para deixar ninguém paranoico, mas é preciso pesquisar. Ao mesmo tempo, conversei com muitos pais que vigiam os filhos em redes sociais e “sequestram” senhas. Há uma questão pessoal, cada família trata de um jeito, mas eu acho que o adolescente precisa de um certo espaço para viver suas experiências e errar. Isso é importante para a construção de sua maturidade”, diz

“Precisamos trazer as conversas sobre o que está sendo debatido na internet, por exemplo, para os momentos em que estamos juntos. Cada família encontra um jeito. Vê que determinado assunto está nas redes sociais, traz o filho para olhar junto.”

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