Domingo, 03 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 23 de julho de 2020
Após mais de quatro meses de pandemia no País, 1% da população brasileira já está oficialmente infectada pelo novo coronavírus. Nesta quinta-feira (23) o Brasil registrou 1.311 novas mortes e mais 59.962 casos confirmados de infecção em 24 horas, segundo dados do Ministério da Saúde.
Da população de mais de 211 milhões, conforme o IBGE, 2.287.475 foram infectados pela Covid-19. Isso representa cerca de 1,05% de contaminação. Apesar disso, o País testa pouco a população, ou seja, os números podem ser muito maiores que os registrados. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o Brasil só atingiu 20% da capacidade de exames prevista para o período de pico. Além de distribuir menos testes do que o projetado, o governo Jair Bolsonaro também tem feito entregas de kits incompletos, sem um dos reagentes essenciais para processar as amostras.
Em alguns locais, como São Paulo e Rio, só faz o teste quem está internado com quadro mais grave e sintomas da doença. Mesmo quem consegue fazer o teste precisa esperar dias, às vezes mais de uma semana, para saber se está com covid-19.
Essa marca de ter 1% da população infectada não é exclusividade do Brasil. Nações como San Marino, Catar, Estados Unidos, Kuwait, Chile, Peru, Omã, Panamá, Bahrein, Armênia e Andorra também já registram mais de 1% de sua população contaminada pelo novo coronavírus, conforme as informações do site Worldometers. Isso sem contar Guiana Francesa e Mayotte, que são departamentos franceses.
Além de estar nesse pequeno grupo de alta incidência da Covid-19 em sua população, o Brasil é o segundo país com mais casos da doença no mundo. Só perde para os Estados Unidos, que somam 4.032.430 de contaminações confirmadas, de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins. O terceiro país mais afetado é a Índia, com 1.238.798 casos. Os três juntos são responsáveis por quase metade de todos os casos registrados no mundo. No dia 16 de julho, o País alcançou a marca de 2 milhões de casos de Covid-19 e em menos de 6 dias foram mais de 207 mil novas infecções.
Falta de medicamentos
O Ministério da Saúde recebe alertas desde maio sobre a falta de medicamentos essenciais para tratamento da Covid-19 na UTI, como sedativos e analgésicos usados na intubação de pacientes graves. A pasta só aceitou participar da compra desses fármacos, com Estados e municípios, mais de um mês depois dos alertas, mas o cenário ainda é de desabastecimento.
Em paralelo, o governo federal priorizou a distribuição de cloroquina, droga sem eficácia comprovada contra a Covid-19, ao ponto de não saber o que fazer com milhões de comprimidos estocados.
Os registros de avisos ao ministério sobre desabastecimento de medicamentos para pacientes graves e sobras de cloroquina foram feitos à Saúde por membros do Centro de Operações de Emergência (COE), de maio a julho, conforme atas de reuniões obtidas pelo Estadão. Mais de 4 milhões de comprimidos de cloroquina e hidroxicloroquina estavam estocados no ministério e outros 4,37 milhões haviam sido distribuídos até 3 de julho, segundo documento do comitê.
A ata ainda informa que todos os municípios tinham cloroquina e a pasta estava “aguardando maiores definições” para recolher ou não cerca de 1,45 milhão de doses que governadores queriam devolver. O Ministério da Saúde não informou eventualmente recusaram a cloroquina enviada. O órgão também não confirmou o estoque atual da droga.
Os comentários estão desativados.