Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 5 de abril de 2020
O Ministério da Saúde evitou fazer estimativas sobre quantos casos de contaminações prevê atualmente em todo o País, dado o ritmo atual de casos registrados diariamente de contaminações e mortes. O secretário-executivo da pasta, João Gabbardo dos Reis, disse, porém, que não acredita que o Brasil chegue a registrar 100 mil óbitos pelo novo coronavírus.
“Nós não acreditamos que chegue nesse número (de 100 mil mortos). E vamos trabalhar muito para que esse número não aconteça”, comentou Gabbardo, durante coletiva de imprensa realizada no Palácio do Planalto nesta sexta-feira, 03, quando o Brasil chega a 9.056 casos confirmados da covid-19. Foram 1.146 novas confirmações nas últimas 24 horas. As mortes pela doença subiram de 299 para 359 óbitos. A atual taxa de letalidade está em 4%.
Gabbardo respondia a um questionamento da imprensa, que se baseou em uma projeção do próprio Ministério da Saúde, de que cerca de 50% da população brasileira pode ser contaminada pelo vírus nos próximos meses, ou seja, cerca de 107 milhões de brasileiros. Por esse raciocínio, se for tomado como base um grau de letalidade de 0,01% da covid, mais de 100 mil pessoas morreriam da doença.
Gabbardo afirmou que, pelo mesmo raciocínio, a China, com quase 1,5 bilhão de habitantes, teria 750 mil óbitos, quando o país informou ter pouco mais de 3 mil óbitos. O ministro Luiz Henrique Mandetta, no entanto, ponderou que o número da China pode, simplesmente, não refletir a verdade.
“A não ser que o número da China não retrate a realidade”, comentou. “Isso daí as academias de ciência do mundo inteiro está analisando. Seja lá como for, nós daremos o máximo de transparência e o máximo de confiança com nossos dados. Agora, realmente um país com 1,5 bilhão de pessoas falar que perdeu 3 mil pessoas com um vírus que está causando isso, é realmente digno de muitas perguntas.”
Na semana passada, um estudo da Imperial College de Londres, instituição que vem fazendo quase em tempo real projeções matemáticas do crescimento da pandemia e avaliações das ações em andamento, havendo uma restrição mais ampla de isolamento no Brasil, e feita de modo rápido, poderiam ocorrer cerca de 44 mil mortes no País. Em um cenário com regras menos rígidas de isolamento, a previsão é de cerca de 627 mil óbitos.
Boletim contestado
Na sala de crise do gabinete do governador Ibaneis Rocha (MDB), o cenário da pandemia do novo coronavírus no Distrito Federal parece sob controle. As projeções dos especialistas têm se confirmado e o sistema de saúde da capital está longe de um colapso. O secretário de Saúde da capital do país, Francisco Araújo Filho, contesta o relatório do Ministério da Saúde, que incluiu o DF entre as cinco unidades da Federação prestes a entrar na etapa de crescimento descontrolado da contaminação.
“Não é verdade que estejamos à beira do caos. Sabemos da gravidade da pandemia, mas estamos tomando as providências necessárias”, explicou. E criticou: “Se o Ministério da Saúde acha que estamos neste nível de gravidade, por que não libera mais recursos para o DF? Eles repassaram apenas R$ 15,7 milhões para o combate à Covid-19, mas não deu para nada. Além disso, mandaram álcool em gel e aventais impróprios para uso”, reclamou.
A advertência do Ministério leva em conta a proporção de infectados em relação à população. O DF lidera esse ranking, com 14,9 casos a cada 100 mil pessoas, bem acima da média nacional, que está em 4,9 infectados por 100 mil.
O governador também não gostou dos dados sobre o D, divulgados pelo ministério. “Estamos avançando dentro dos nossos cálculos. Mas, quando sai uma informação como essa, a rede fica sobrecarregada porque 800 pessoas, só hoje (ontem), nos procuraram para fazer o exame”, afirmou Ibaneis, que ainda disse que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, não está dialogando como deveria com os governadores. “Está parecendo o presidente Bolsonaro”, criticou.
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