Quinta-feira, 02 de Abril de 2020

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Brasil O diretor do BNDES saiu de licença após tentar vender ações do Banco do Brasil

Laloni estava em conflito com corpo técnico, que o acusava de ignorar regras internas. (Foto: EBC)

No centro da crise entre o corpo técnico e a diretoria do BNDES, o diretor de investimentos, André Laloni, pediu licença do cargo na sexta-feira (11), alegando motivos pessoais. Segundo pessoas a par do assunto, porém, o estopim para seu afastamento foi a demissão, da superintendente Luciana Tito, que teria sido desligada por discordar da condução da estratégia de venda de ações pelo BNDES.

Com carreira no banco suíço UBS e com passagem este ano pela Caixa, onde coordenou o programa de desinvestimentos do banco estatal, Laloni chegou ao BNDES em setembro tendo como principal missão se desfazer da carteira de mais de R$ 100 bilhões de ações detidas pela instituição. Mas Laloni entrou logo em conflito com o corpo técnico do BNDES, que o acusava de ignorar normas internas do banco.

Recentemente, as tensões atingiram o clímax, com a destituição de Luciana Tito do cargo de superintendente da Área Jurídica Operacional.

Segundo relato de funcionários, Luciana não teria cedido às pressões de Laloni para incluir em uma oferta subsequente de ações do Banco do Brasil os papéis detidos pela União e que haviam sido transmitidos ao BNDES para que fossem vendidos.

A oferta do BB vai vender ações hoje detidas pela Tesouraria do próprio Banco do Brasil e também da carteira do Fundo de Investimentos do FGTS.

De acordo com servidores do banco, Luciana alegou que regras internas inviabilizavam a inclusão do lote de ações da União naquela oferta, o que teria causado descontentamento no comando do BNDES.

De acordo com funcionários, não havia tempo hábil para que isso acontecesse dentro das normas do banco. A associação de funcionários do BNDES, a AFBNDES, organizou ato cobrando explicações do banco, que não se manifestou.

O presidente do conselho de administração do BNDES, Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor financeiro do banco, afirmou que Laloni queria, de fato, impor mudanças na cultura interna do banco.

“O BNDES tem pessoas excelentes que não podem ser desprezadas. Ele queria mudar a cultura do BNDES, o que é impossível. Pode convencer, não impor. O BNDES tem regras que têm que ser respeitada, senão o funcionário paga pelos erros normativos. Antes, seria preciso mudar as normas”, criticou.

Em reunião interna, o presidente do banco, Gustavo Montezano, disse que buscaria um substituto para o cargo de Laloni, de acordo com fontes a par da conversa. Interinamente, o diretor de Privatizações, Leonardo Cabral, acumulará o cargo. Pelas regras do BNDES, a licença de Laloni tem prazo de 30 dias, podendo ser prorrogados por mais 30.

Na reunião de sexta, Montezano teria prometido ainda que a venda de ações da BNDESPar será feita de forma técnica e seguindo as regras de governança.

Procurado, o BNDES confirmou que Laloni foi afastado.

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