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Por Redação O Sul | 23 de março de 2020
O ex-produtor Harvey Weinstein teria testado positivo para coronavírus, segundo informações do site “Deadline” publicadas na noite de domingo (22).
Weinstein havia sido transferido para uma prisão de segurança máxima em Nova York, na semana passada.
O ex-produtor fez vários exames médicos desde que chegou no presídio, por causa de seus problemas de hipertensão.
Embora os assessores de imprensa de Weinstein afirmem não ter informações sobre sua saúde, o site afirma que o resultado do teste teria sido confirmado por um funcionário do presídio.
Condenação
O ex-produtor foi sentenciado por um juiz de Nova York a 23 anos de prisão, depois de ser considerado culpado de duas das cinco acusações de má conduta sexual às quais respondia na Justiça americana.
Condenado por estupro em terceiro grau e por ato sexual criminoso em terceiro grau, Weinstein poderia pegar entre 5 e 29 anos de prisão.
Ele foi inocentado, entretanto, das acusações mais graves — de estupro em primeiro grau e do que é conhecido da legislação penal americana como “predatory sexual assault”.
Crime com possibilidade de prisão perpétua, ele ocorre, entre outras características, quando o acusado causa danos sérios à integridade física da vítima e quando a ameaça com algum tipo de arma ou instrumento perigoso.
Weinstein se declarou inocente das acusações de agressão sexual contra a assistente de produção Mimi Haleyi em 2006 e de estupro de Jessica Mann em 2013, aspirante a atriz na época.
O júri, formado por sete homens e cinco mulheres, chegou a uma decisão em 24 de fevereiro, após cinco dias de deliberações.
Mesmo antes de anunciar a sentença, o juiz determinou que Weinstein começasse a cumprir a pena imediatamente.
Logo após o julgamento, ele foi cercado por oficiais de justiça, algemado e retirado do local.
O produtor segue sendo processado em Los Angeles, também por crimes sexuais contra duas mulheres, supostamente cometidos em 2013.
Este foi um dos processos judiciais mais comentados nos Estados Unidos nos últimos anos.
O caso está sendo considerado pelos especialistas em mídia e direito como um momento crucial no movimento #MeToo — a repreensão global ao assédio contra mulheres que se tornou viral graças às primeiras acusações contra Weinstein, em 2017.
Mais de 80 mulheres falaram publicamente contra ele, incluindo celebridades.
Weinstein, hoje com 67 anos, é cofundador da empresa de entretenimento Miramax, que desafiou o domínio dos grandes estúdios de Hollywood e ganhou espaço próprio.
Weinstein e o irmão Bob estão por trás de uma série de filmes de sucesso nos anos 90, incluindo Sexo, Mentiras e Videotape, Traídos pelo Desejo, Pulp Fiction e Shakespeare Apaixonado — este último ganhou sete estatuetas do Oscar em 1999, incluindo o prêmio de melhor filme.
Sua influência na indústria cinematográfica pode ser exemplificada por um estudo que analisou os discursos de aceitação do Oscar.
Em 2015, o estudo constatou que Weinstein já havia sido citado ou elogiado em 25 discursos — tantas vezes quanto Deus —, perdendo apenas para o renomado diretor e produtor Steven Spielberg.
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