Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 9 de março de 2019
O Facebook anunciou o início de uma luta para combater a desinformação de um grupo crescente dentro e fora das redes sociais. A partir de agora, o algoritmo da plataforma vai “rebaixar” publicações de grupos e usuários anti-vacinação – aqueles que acreditam que as vacinas causam doenças e condições médicas e, por isso, se recusam a imunizar os filhos.
De acordo com o comunicado, o ranqueamento de grupos e páginas vai cair e eles não aparecerão mais em recomendações nem no autocompletar das buscas. Além disso, anúncios a respeito serão removidos. Conteúdos educativos sobre o porquê de seguir a vacinação serão aos poucos inseridos para quem insistir em pesquisar sobre o tópico.
O Instagram, que pertence ao Facebook, tomará medidas parecidas. Além de reduzir o ranqueamento, a plataforma não recomendará conteúdos do tema na aba “Explorar” ou nas páginas de hashtags.
O trabalho de identificar os boatos é feito com ajuda da Organização Mundial da Saúde e o Centro de Controle de Doenças e Prevenções dos Estados Unidos. Apesar do crescimento desse movimento antivacina, o Facebook insiste que deixar de vacinar a população pode gerar consequências catastróficas para a saúde da pessoa e dos outros ao redor.
Criptografia
Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, publicou nesta semana uma espécie de manifesto detalhando sua visão para um Facebook “mais focado em privacidade”. O texto é uma tentativa do fundador da rede social de retomar a confiança dos usuários – que ele próprio admite, na publicação, ter se deteriorado. Porém, a aposta em comunicações mais íntimas, privativas e protegidas por criptografia tem uma consequência: o Facebook terá cada vez menos controle sobre o que circula pelas suas redes.
Por mais vantagens que a criptografia e a privacidade possam trazer, as ideias de Zuckerberg tem potencial para permitir que o Facebook tire de si mesmo a responsabilidade por policiar conteúdo. Afinal, se o Facebook é incapaz de ver o que as pessoas estão publicando e compartilhando, o Facebook também é incapaz de fazer o policiamento.
Na prática, Zuckerberg não está propondo uma solução para os problemas que o Facebook enfrenta em relação à privacidade e à disseminação de conteúdo falso na rede. A visão dele se resume a aplicar o molde do WhatsApp ao Facebook e outros serviços que a empresa pode estar desenvolvendo. Isso nem está escondido: o WhatsApp é citado mais de uma vez como exemplo no texto.
Não se trata de criticar a criptografia. É uma questão de falta de correspondência entre o que Zuckerberg propõe e as crises que o Facebook vem enfrentando. A criptografia não é solução para a negligência da empresa no tratamento dos dados pessoais, nem para a circulação de boatos dentro da rede.
Os comentários estão desativados.