Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 16 de novembro de 2018
O general do Exército da reserva Oswaldo Ferreira desistiu de assumir o Ministério da Infraestrutura, que será criado no governo Jair Bolsonaro juntando as áreas de transportes, portos, aviação civil, ferrovias, saneamento, recursos hídricos e mobilidade urbana. Com a desistência de Ferreira, o novo cogitado para a pasta passou a ser o general também da reserva Jamil Megid Júnior, nomeado nesta semana para a equipe de transição.
O Ministério da Infraestrutura não englobará Minas e Energia, que permanecerá independente, porque já comanda segmentos considerados estratégicos, como petróleo, mineração e gás. O nome mais cotado para essa pasta é de Paulo Pedrosa, ex-secretário executivo do ministério, que deixou o cargo em abril deste ano, após a entrada do atual ministro Moreira Franco.
O Ministério da Infraestrutura também não terá a área de Comunicações que, no último desenho, estava lotada no Ministério da Ciência e Tecnologia, mas ganhará a estrutura para tocar as obras que estão paradas, principalmente no Nordeste, além de incluir projetos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). É com estas obras no Nordeste que o governo Bolsonaro quer mudar o perfil da região, com a promessa de tirar foco do assistencialismo e partir para o desenvolvimento.
O general Megid foi vice-chefe do DEC (Departamento de Engenharia e Construção do Exército). Trabalhou na segurança da Rio +20, na Jornada Mundial da Juventude, na Copa do Mundo e nas Olimpíadas de 2016. Antes, foi coordenador-geral do Comitê Organizador dos Jogos Mundiais Militares, em 2011.
Militares no poder
Escolhido para assumir o Ministério da Defesa, o general de Exército da reserva Fernando Azevedo e Silva disse ao Estado que a eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência da República não representa a volta dos militares ao poder. “Ele foi eleito pelo voto popular”, afirmou. E acrescentou que não acredita em politização das Forças. “As Forças estão afastadas da política”.
Azevedo e Silva, que deixou o Exército em agosto e foi convidado à época pelo então futuro presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Tofolli, para assumir um cargo de assessoria em seu gabinete, considerou essa passagem pelo Judiciário como “uma deferência” à sua origem”. Segundo ele, a sucessão no comando das Forças ainda não foi discutida com Bolsonaro, a quem caberá decidir os nomes.
Segundo Azevedo e Silva, o representante político das Forças Armadas é o ministro da Defesa. “O papel das Forças Armadas nas eleições foi republicano”, afirma.
Questionado pelo jornal Estado de S. Paulo se ficou algum desconforto por Bolsonaro ter sinalizado que o ministro da Defesa poderia vir da Marinha, Azevedo e Silva responde que não:
“As Forças Armadas têm uma característica: quando se toma uma decisão, acabou. O que está decidido, está decidido. A partir daí é remar junto. Eu, inclusive, já recebi ligação dos três comandantes me cumprimentando, e me senti muito honrado com o convite. Aliás, estou saindo da fase de muito orgulhoso com o convite para muito apreensivo, porque é uma responsabilidade muito grande.”
Os comentários estão desativados.