Segunda-feira, 03 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 13 de dezembro de 2019
O governo brasileiro recebeu um e-mail falso em nome da ativista sueca Greta Thunberg, segundo o qual a jovem teria pedido para conversar por telefone com o presidente Jair Bolsonaro. A mensagem foi enviada a partir de um domínio registrado na Rússia e chegou à cúpula do Planalto nesta semana.
“O fundo de Greta Thunberg lhe informa que a ativista climática e ambiental de 16 anos, candidata ao prêmio Nobel e eleita a Pessoa do Ano pela revista Time, gostaria de conversar por telefone com Sua Excelência Jair Bolsonaro”, afirma o e-mail com a mensagem falsa.
O problema é que o fundo de Greta Thunberg não existe e, segundo o advogado Scott Gilmore, do escritório Hausfeld, que representa Greta nos EUA, a mensagem é “uma fraude do começo ao fim.”
“O domínio a partir do qual o e-mail foi enviado foi criado por uma parte desconhecida e, aparentemente, hospedado na Rússia”, afirmou Gilmore à Folha.
“Nós levamos muito a sério todas as tentativas de fraude destinadas à Greta. É lamentável que, enquanto o mundo está pegando fogo, alguns escolhem espalhar desinformação.”
A mensagem continha contatos telefônicos e chegou até o alto escalão do governo brasileiro.
A reportagem da Folha de S.Paulo entrou em contato com os dois telefones listados no e-mail, um de Genebra, na Suíça, e outro de Washington, nos EUA.
No primeiro, um homem atendeu e confirmou ser representante de Greta. Questionado sobre a veracidade do e-mail, afirmou que a mensagem era confidencial e que não iria comentar.
No outro, um homem também se identificou como membro da equipe da ativista. Afirmou que as informações eram confidenciais e que não poderia comentar o conteúdo nem confirmar o envio do e-mail ao governo brasileiro.
Ao ser acessado, o domínio que acompanha o endereço de e-mail, gretathunbergfund, é redirecionado para o site childrenvsclimatecrisis.org, que é a página oficial — e real — de Greta e outros 14 jovens ativistas contra a mudança climática.
O e-mail enviado ao governo brasileiro, assinado por alguém que se identifica como Svante Thunberg, pai de Greta, diz que a ativista planeja ir ao Brasil no próximo ano, como parte de uma grande turnê para debater a crise ambiental no mundo.
Segundo a mensagem, a ativista também queria esclarecer o mal-estar entre ela e Bolsonaro nas últimas semanas.
“Greta gostaria de esclarecer a situação causada pelas últimas declarações publicadas pela imprensa. Talvez as palavras dela tenham sido relatadas pela mídia de maneira errada, mas, seja o que for, ela não queria ofender o povo do Brasil e as autoridades do país, incluindo o presidente Bolsonaro”, diz o texto que chegou por vias oficiais a representantes do governo.
Na terça-feira (10), Bolsonaro chamou a jovem de “pirralha” e criticou o espaço dado ao ativismo de Greta na luta contra o aquecimento global. Depois das declarações do presidente brasileiro, ela usou a palavra “pirralha” em sua descrição de perfil nas redes sociais.
A ativista havia dito que as populações indígenas têm sido mortas no Brasil para proteger a floresta amazônica. Desde 2013, os guajajaras atuam para a repressão a crimes ambientais, em um grupo chamado Guardiões da Floresta.
“Greta considera seu dever falar com o presidente, pedir desculpas por esse mal-entendido e gostaria de participar na ajuda às regiões afetadas pelas queimadas no Brasil por meio de sua Fundação de Caridade e com a ajuda de seus amigos-celebridades do mundo”, afirma o e-mail com a mensagem falsa.
“Somente juntos podemos resolver a crise ecológica e preservar a natureza da Terra para nós e para as futuras gerações. Greta acredita que é necessário estabelecer diálogo direto com os políticos que se preocupam com o futuro do nosso planeta”, completa o texto fraudado.
No fim de novembro, Bolsonaro disse que o ator Leonardo DiCaprio teria financiado queimadas criminosas no Brasil. DiCaprio respondeu em comunicado que, “embora certamente mereçam apoio”, ele não financia as organizações “atualmente sob ataque.”
Há uma foto conhecida de Greta ao lado do ator, que também é bastante engajado no debate sobre as mudanças climáticas e crise do meio ambiente.
As queimadas na Amazônia despertaram a atenção no exterior, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, e impactaram inclusive na diminuição do investimento estrangeiro no Brasil.
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