Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 27 de maio de 2018
O governo deve se antecipar e publicar o decreto que reduz a zero a alíquota da Cide sobre o diesel antes da aprovação do projeto de reoneração da folha de pagamento das empresas. A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados na noite de quarta-feira e pode ser votada no Senado nessa semana. Segundo uma fonte envolvida nas negociações, o Planalto quer demonstrar que está cumprindo a sua parte no acordo firmado na quinta-feira.
“A ideia é mostrar que o Executivo cumpre a sua palavra”, disse um integrante do governo. Além disso, as autoridades que compõem o gabinete de crise estão estudando medidas pra permitir que o preço do diesel nas bombas seja reduzido de forma sensível nas bombas. E, para isso, será preciso reduzir outros tributos como PIS/COFINS sobre o combustível, além de zerar a Cide. Ainda se discute o tamanho da redução possível.
Nas palavras de um interlocutor do Planalto, a situação continua muito delicada, diante da crise do desabastecimento generalizada e resistência do movimento. Com todos os esforços do governo, como a edição da Garantia de Lei e Ordem e a escolta de caminhões tanque, não se conseguiu atender nem 15% da demanda de combustível, de acordo com dados nas mãos do governo. Por isso, integrantes da ala mais conservadora do governo, a equipe econômica, tem perdido o embate nas reuniões internas para resolver a crise, disse uma fonte.
O presidente Michel Temer já tinha prometido ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), editar de imediato o decreto que zera a Cide, mas foi convencido pelo ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, a esperar o Congresso aprovar o projeto da reoneração, contrapartida negociada pela equipe econômica para compensar a perda na arrecadação.
Depois de endurecer com os grevistas na sexta-feira, o Planalto recuou no domingo e voltou a negociar com alguns integrantes do movimento. A ideia, porém, não é ainda ampliar o acordo mas, sim, reforçar o que já foi comprometido. Discute-se algumas pequenas concessões, explicou um integrante do gabinete de crise. A prorrogação do congelamento do preço do diesel, de 30 dias para 60 dias, ainda não está definida.
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