Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 1 de julho de 2021
O Palácio do Planalto monitora com preocupação a atuação de Ciro Nogueira na CPI da Covid. Nas últimas duas semanas, o senador não fez perguntas a nenhum depoente e sequer abriu a boca em quatro reuniões — inclusive a desta quinta-feira (1º).
Para auxiliares de Bolsonaro, a súbita timidez do cacique do PP é um sinal de que o desembarque pode estar nos planos.
O senador informou que retorna na semana que vem à comissão, da qual era titular desde o início e passou a constar como suplente.
Suspeitas
Senadores de oposição afirmaram, durante a sessão da CPI da Covid desta quinta, que suspeitam que o representante da empresa Davati Medical Supply Luiz Paulo Dominguetti Pereira foi “plantado” na comissão.
Dominguetti foi convocado para depor sobre a acusação feita, em entrevista à Folha de S.Paulo, sobre um suposto esquema de corrupção na compra de 400 milhões de doses de vacina da AstraZeneca contra a covid-19 pelo Ministério da Saúde. Ele disse que o governo pediu propina de US$ 1 por dose.
Porém, durante a sessão, ele exibiu um áudio sugerindo que o deputado federal Luís Miranda (DEM-DF) também havia tentado adquirir vacinas com a Davati. Não é possível ter certeza sobre quais assuntos tratavam na ocasião.
O deputado depôs à CPI na última sexta-feira (25) para falar sobre outra questão: a suspeita de irregularidades na compra da vacina indiana Covaxin.
Senadores da oposição disseram estranhar o fato de que o vendedor, na contramão do que vinha sendo o foco da CPI durante a reunião desta quinta —cobrança de propina por gestores do governo —, decidiu revelar o fato de que Miranda teria supostamente atuado na intermediação para compra de imunizantes.
“Com todo respeito, essa testemunha foi plantada. Olha aí qual a conversa, esse áudio se refere a quê?”, disse o senador Fabiano Contarato (Rede-ES).
Já o relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), questionou as intenções de Dominguetti. “O depoente traz um áudio com mazelas que poderiam envolver Luis Miranda, Em nome do quê? A CPI não vai aceitar este tipo de coisa”, disse.
Segundo o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), Luis Miranda negou que estivesse negociando vacinas no áudio exibido por Dominguetti.
Luís Miranda, em seu depoimento, disse que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) associou Ricardo Barros (PP-PR) às supostas irregularidades identificadas na negociação pela compra das vacinas Covaxin. Ele falou aos senadores ao lado do irmão Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde. Segundo os irmãos, Luis Ricardo teria sofrido uma pressão anormal para aprovar a importação de doses da Covaxin.
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