Terça-feira, 04 de Agosto de 2020

Porto Alegre
Porto Alegre
26°
Fair

Brasil O governo federal sofre pressão de empresários brasileiros para mudar a política ambiental

Compartilhe esta notícia:

Nos primeiros 6 meses de 2020, a Amazônia perdeu mais de 3 mil quilômetros. (Foto: Agência Brasil)

A pressão interna para que o governo brasileiro mude a política ambiental também é grande. O vice-presidente, Hamilton Mourão, se reuniu com investidores estrangeiros, e falou com empresários brasileiros, que também estão descontentes.

Antes da reunião, o vice-presidente Hamilton Mourão, que preside o Conselho Nacional da Amazônia, admitiu que o governo demorou a agir para evitar o desmatamento: “As ações contra o desmatamento tinham que ter começado em dezembro do ano passado, que é quando ele começa efetivamente. Começou tarde, lógico. Começou tarde. O começo em maio vai nos dar, vamos dizer assim, uma melhora na situação em relação a queimadas, mas não a desmatamento”.

A reunião foi fechada. Entidades e grandes empresários brasileiros que atuam na Amazônia cobraram ação do governo na redução do desmatamento. Eles fazem parte de um grupo de empresários e lideranças que, no início da semana, entregaram uma carta ao governo cobrando providências na área ambiental.

Na conversa, Mourão disse que não é possível estabelecer uma meta de curto prazo. “Para mim, é uma leviandade chegar e dizer que vou cortar em 50% o desmatamento, se eu não tenho meios para dizer isso hoje. Eu prefiro que a gente consiga terminar o nosso planejamento e dizer que daqui até 2022, a cada semestre vamos reduzir em ‘x%’ até chegarmos no ponto aceitável. É algo factível e não eu ficar fazendo promessa que não vou cumprir”.

Ambientalistas afirmam que o governo está promovendo o desmonte de órgãos ambientais, o que compromete a política ambiental. Isso tem afastado o Brasil de mercados modernos e a primeira consequência disso é o prejuízo na imagem do país e nos negócios. Especialmente no exterior. O desmatamento ilegal é um grande entrave para uma economia limpa, exigência do mundo hoje.

A presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, que participou da reunião, disse que depois da cobrança dos empresários, notou no governo uma tentativa de diálogo.

“Eu acho que há consenso, pelos índices alarmantes do desmatamento ilegal, de que é preciso agir. E o vice-presidente Mourão, na qualidade de presidente do Conselho da Amazônia, assumiu essa responsabilidade como responsabilidade do Estado e concordou que essa é uma responsabilidade do Estado e que precisava de uma ação inflexível. Então, acredito que ter assumido metas semestrais a partir de um estudo é um passo importante pra gente evoluir nessa questão”, afirma Marina Grossi.

Os números divulgados na sexta-feira (10) justificam a preocupação. O tamanho da área da Amazônia sob alerta de desmatamento bateu recorde em junho. De acordo com o Inpe, é o pior resultado nos últimos cinco anos. Foram 1.034,4 quilômetros quadrados, área maior do que Salvador e Belo Horizonte juntas.

Nos seis primeiros meses de 2020, os alertas indicam que a Amazônia perdeu mais de 3 mil quilômetros quadrados de floresta, um aumento de 25% em comparação ao primeiro semestre de 2019. É o pior resultado desde 2016.

O sistema Deter indica às equipes de fiscalização onde pode estar havendo crime ambiental. A taxa oficial de desmatamento na Amazônia é medida por outro sistema, e só é divulgada uma vez por ano. O diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, André Guimarães, disse que se o governo não agir rápido, os números em 2021 podem ser ainda piores: “A gente tem dois problemas combinados que podem acontecer daqui pra frente. Se o desmatamento continuar nesses níveis, nós vamos ter um aumento do desmatamento e contaminação ainda maior da nossa reputação. Por outro lado, ainda mais sério, nós podemos estar alterando com excesso de desmatamento nosso regime de chuvas no Planalto Central, que é onde acontece a grande a agricultura brasileira e que é uma parcela essencial do nosso PIB. A agricultura em grande parte não é irrigada, ela depende de chuva. E quando a gente destrói a floresta, a gente altera a chuva e coloca em risco a galinha dos ovos de ouro do Brasil, que é a nossa grande agricultura”.

Print Friendly, PDF & Email

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Ministros do Supremo exigiram a demissão de Abraham Weintraub, então ministro da Educação, para pacificação com Bolsonaro
O Brasil registra 1.071 mortes por coronavírus e 39.023 novos infectados nas últimas 24 horas
Deixe seu comentário
Pode te interessar