Quarta-feira, 13 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 6 de maio de 2020
Nesta quarta-feira (6), o governo gaúcho anunciou uma parceria com empresas de telefonia celular Oi, Claro, Tim e Vivo para obter acesso a informações, em tempo real, sobre aglomerações e deslocamentos populacionais em diferentes locais do Estado. O objetivo é ampliar os dados que servem de base para estratégias de combate à pandemia de coronavírus.
A Procergs (Companhia de Processamento de Dados do Estado do Rio Grande do Sul) também participa da iniciativa, que já foi adotada em São Paulo, por exemplo. Conforme o Palácio Piratini, os dados da rede móvel não serão não individualizados e o processo não terá qualquer custo aos cofres públicos, o termo de cooperação técnica com as empresas que atuarão em parceria havia sido firmado no final de abril.
“Certamente teremos um conjunto de informações que serão importantes para respaldar futuras medidas que precisaremos adotar”, reiterou o chefe do Executivo, em videoconferência. “Desde o início da nossa mobilização diante da pandemia, as ações que implementamos sempre se basearam em indicadores, em evidências científicas, ao que agora se soma o acompanhamento da mobilidade por meio das antenas de celular.”
As informações serão apresentadas em um modelo de “mapa de calor” que indica maior ou menor concentração populacional por localidade, em diferentes períodos. Os dados a serem consultados estarão protegidos e organizados de forma estatística e anônima, sem violação de privacidade, conforme as normas da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e do Marco Civil da internet.
“Esse é um aspecto que é necessário frisar para a sociedade: o sigilo pessoal estará assegurado. Não nos interessa saber sobre o comportamento de cada pessoa. O que precisamos acompanhar é a aglomeração de pessoas, o quanto determinados comunidades nos municípios ou até em bairros menores deixam suas casas e com qual frequência”, acrescentou o governador.
Reforço
Coordenadora do Comitê de Análise de Dados sobre a pandemia, a titular da Seplag (Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão), Leany Lemos, lembrou que a solução que as empresas estão oferecendo será um importante insumo agora que o governo está migrando para o modelo de distanciamento controlado.
“Respeitar o isolamento social é a solução mais indicada para conter o avanço da pandemia e não sobrecarregar os serviços de saúde. Quanto mais pudermos aprimorar esse controle, em especial nas populações de risco e em regiões de maior disseminação do vírus, mais vidas serão salvas”, destacou Leany.
O Rio Grande do Sul está sob decreto de emergência por conta da doença, e o governo determinou restrições a diversas atividades, o que inclui a suspensão das aulas em todas as redes. Na avaliação do titular da SGGE (Secretaria de Governança e Gestão Estratégica), Cláudio Gastal, as informações disponibilizadas representam um elemento decisivo, junto a outros estudos analisados no Comitê de Crise, para que o governo implante políticas públicas mais eficazes no combate ao coronavírus.
“O celular está junto das pessoas na maioria do tempo. Nesse sentido, os dados emitidos por ele se tornam confiáveis para visualizar se há aglomerações e onde”, observou Gastal. “Garantimos respeito à privacidade. Nosso interesse não é o CPF, sequer teremos essa informação. Queremos visualizar o macro, entender onde e por qual motivo há aglomerações de pessoas.”
Atuando em parceria, as principais operadoras de telefonia móvel do Brasil já haviam disponibilizado a mesma ferramenta ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. As operadoras desenvolverão ainda aplicativos e casos de uso para auxiliar os órgãos públicos no mapeamento da evolução da epidemia do novo coronavírus.
(Marcello Campos)
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