Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2021

Porto Alegre
Porto Alegre
26°
Mostly Cloudy / Wind

Rio Grande do Sul O governo gaúcho voltou a ser alvo de protestos por causa das novas restrições de atividades

Compartilhe esta notícia:

O governador Eduardo Leite recebeu um grupo de músicos para discutir a situação. (Foto: Itamar Aguiar/Palácio Piratini)

Ao longo desta sexta-feira (4), a área em frente ao Palácio Piratini, no Centro Histórico de Porto Alegre, voltou a ser alvo de protestos contra as novas restrições impostas às atividades comerciais e sociais pelo governo gaúcho para conter a expansão da pandemia de coronavírus. O protesto foi realizado por representantes de entidades como a Agepes (Associação Gaúcha de Empresas e Profissionais de Eventos).

A categoria está descontente com o decreto estadual em vigor desde a terça-feira (1º), determinando a suspensão de festas de fim de ano e outras modalidades de eventos, por um período mínimo de duas semanas. Conforme os organizadores da manifestação, o Executivo está sendo injusto com os empresários do segmento, que têm colaborado na prevenção à Covid, inclusive por meio do cumprimento de protocolos sanitários.

Embora não haja uma estimativa oficial, os organizadores contabilizaram a participação de aproximadamente 1,5 mil pessoas no ato, iniciado pela manhã e prosseguiu tarde adentro, com cartazes, faixas e palavras-de-ordem. “Liberdade para trabalhar”, dizia uma das mensagens, enquanto outra ostentava a frase “Todos temos famílias”. Além disso, diversos participantes estavam vestidos com roupas pretas, em sinal de “luto”.

Ao menos três líderes da mobilização teriam sido recebidas pelo governador Eduardo Leite, mas o fato não foi confirmado pelo governo do Estado. O fato é que o chefe do Executivo recebeu, durante a manhã, um grupo de músicos, acompanhados do deputado federal Lucas Redecker (PSDB, mesmo partido do governador).

“Sou compreensivo à incompreensão das pessoas, que estão preocupadas com seu segmento”, declarou Eduardo Leite ao grupo. “Mas estamos vivendo um momento de crescimento de internações em leitos de UTI [Unidade de Terapia Intensiva] e, se não frearmos o contágio agora, enfrentaremos um momento ainda mais difícil durante as festas de final de ano.”

Para ampliar o diálogo, ficou agendada para esta segunda-feira (7) uma nova reunião com integrantes do Gabinete de Crise, composta por equipes técnicas das secretarias da Saúde e da Fazenda. O objetivo é discutir alternativas capazes de amenizar as restrições.

Mobilização

Na tarde de quarta-feira, o espaço entre o Palácio Piratini e a Praça da Matriz (isolada por tapumes devido a obras de restauração) já havia sido ocupado por dezenas de empresários, durante cerca de duas horas. O grupo criticou as restrições ao funcionamento de segmentos do comércio e de serviços de um modo geral.

Presente na mobilização, a recém-eleita vereadora Fernanda Barth (PRTB) cobrou do Executivo a apresentação de embasamento técnico para as novas diretrizes, que ela classifica de “criminosas”. A futura parlamentar (que também foi uma das signatárias do pedido de impeachment contra o prefeito Nelson Marchezan Júnior na Câmara de Vereadores) também condenou os impactos econômicos da medida:

“Os empresários já estão endividados e justo agora, quando começavam a se reerguer, o governo do Rio Grande do Sul surge com mais uma pacote para quebrar o que ainda não foi quebrado. O setor acaba pagando, assim, uma conta que não é sua”.

Além disso, atos semelhantes já foram realizados desde terça-feira no Interior do Estado. Foi o caso de Novo Hamburgo (Vale do Sinos), onde o Centro de Eventos da Fenac serviu de palco para uma manifestação de empresários do ramo de eventos, na quinta-feira, a fim de reivindicar um tratamento supostamente menos desigual em relação a outras categorias.

Já em Santa Cruz do Sul (Vale do Rio Pardo), uma carreata e uma passeata ganharam as ruas e até um entroncamento rodoviário, na manhã de quinta-feira. A fila de carros com os manifestantes seguiu até a área central da cidade, com direito a buzinaço e tendo como destino a sede da prefeitura. “As medidas impostas pelo governo são arbitrárias e prejudicam a economia”, disse na ocasião um dos organizadores.

(Marcello Campos)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Rio Grande do Sul

Ocupação média de 80% das UTIs em hospitais públicos e particulares preocupa as autoridades gaúchas
Uma nova ferramenta on-line auxilia o Judiciário do Rio Grande do Sul a calcular indenizações por dano moral
Deixe seu comentário
Pode te interessar