Sexta-feira, 14 de Agosto de 2020

Porto Alegre
Porto Alegre
19°
Partly Cloudy

Brasil O juiz Sérgio Moro autorizou o acesso dos advogados de Lula ao computador pessoal do empresário Marcelo Odebrecht

Compartilhe esta notícia:

O conteúdo dos e-mails anexados por Marcelo reforça o que já foi delatado. (Foto: Divulgação)

O juiz federal Sergio Moro autorizou nessa quarta-feira o acesso da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a todo conteúdo do HD (dispositivo responsável pelo armazenamento de arquivos em um computador) apreendido com o empresário Marcelo Odebrecht, e não apenas à troca de mensagens eletrônicas apresentadas por ele na ação que envolve supostas vantagens pagas pela empreiteira.

Dentre esses supostos benefícios indevidos estão um prédio destinado ao Instituto Lula e uma cobertura para a família do líder petista em São Bernardo do Campo (SP).

O acesso deverá ser efetivado até o dia 24 deste mês e a defesa poderá selecionar novos conteúdos a serem anexados ao processo até o dia 30. Apenas depois desta data é que o juiz abrirá um prazo para a apresentação das alegações finais, última manifestação das defesas antes do julgamento do caso.

O empresário foi interrogado pela segunda vez nessa quarta-feira, a fim de esclarecer conteúdo de mensagens anexadas ao processo. A defesa de Lula protestou, alegando que não poderia admitir que lhe fosse dadas apenas mensagens selecionadas pelo próprio delator. Alegou cerceamento de defesa.

Moro reagiu, no início da audiência, afirmando que as mensagens estavam nos autos, mas acabou atendendo ao apelo dos advogados do ex-presidente. A PF (Polícia Federal) havia permitido acesso apenas às mensagens, mas não ao restante do conteúdo do notebook do empresário, que cumpre prisão domiciliar desde dezembro, após dois anos e meio de regime fechado, no âmbito da Operação Lava-Jato.

A defesa de Lula se recusou a fazer perguntas ao empresário, o que irritou o juiz.

“Há perguntas para o Sr. Marcelo Odebrecht?”, indagou Moro.

“Eu não tenho perguntas, porque eu não tive acesso”, reagiu o advogado.

“Eu acho que é um pouco uma brincadeira da defesa”, retrucou o magistrado. “A defesa apresenta uma petição com questões escritas dirigidas ao senhor Marcelo Odebrecht, pedindo que sejam respondidas. A pessoa quando ela é acusada é ouvida oralmente no processo, logo, o juiz marca uma audiência para as perguntas serem realizadas. A defesa vem e diz que não quer fazer as perguntas.”

Instituto Lula

No interrogatório, o empresário explicou ainda que a compra do prédio para o Instituto Lula foi feita pela DAG, uma subcontratada da Odebrecht, que foi temporariamente ressarcida por adiantamentos por serviços que ela havia prestado para a empreiteira.

Ele explicou a lógica do negócio: “A cabeça daquele processo, desde o início, era que Demerval compraria, contruiria no terreno, venderia ou alugaria para o Instituto Lula. Ele seria ressarcido depois pela doação que seria feita ao Intituto e o Instituto compraria”. Marcelo, referindo-se a Dermerval Gusmão, o dono da DAG.

O empresário também contou que, inicialmente, o compromisso era apenas comprar o terreno para o Instituto Lula, mas depois começaram pedidos para a manutenção da área e reforma e construção do prédio. “Já estava fazendo mais do que o previsto. O advogado [Roberto Teixeira] estava acompanhando os gastos, que eram autorizados por (Antonio Palocci) e retirados da planilha italiano”, detalhou Marcelo, referindo-se a uma conta que mantinha com Palocci.

Print Friendly, PDF & Email

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Dois esqueletos de dinossauros foram leiloados por mais de 11 milhões de reais em Paris
Um banco de esperma chinês está procurando bons comunistas como doadores
Deixe seu comentário
Pode te interessar