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Brasil O juiz Sérgio Moro e o advogado de Lula discutiram em uma audiência de Marcelo Odebrecht

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Pedido foi feito nesta sexta-feira (08). O advogado Cristiano Zanin (foto) se reuniu com o petista na sede da Polícia Federal em Curitiba nesta manhã. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

O juiz Sérgio Moro e Cristiano Zanin Martins, advogado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, discutiram durante audiência do empresário Marcelo Odebrecht realizada na quarta-feira (11).

O ex-presidente da empreiteira foi ouvido, pela segunda vez, em processo da Operação Lava-Jato sobre e-mails anexados ao processo que investiga se o apartamento vizinho ao que vive a família de Lula e o terreno onde seria contruída a nova se Instituto Lula foram pagos pela Odebrecht como propina ao ex-presidente.

Esta nova sede nunca chegou a ser construída. A defesa de Lula nega as acusações.

A discussão começou logo no início da oitiva, quando Zanin disse que o trabalho da defesa estava prejudicado porque não teve acesso a todos os arquivos de Odebrecht. Moro reclama que a audiência foi pedido do advogado, que apresentou perguntas na petição, mas não quis fazê-las.

“Mas aí é um pouco uma brincadeira da defesa…”, reclama Moro. “Brincadeira não é”, rebate Zanin.

“A defesa apresenta uma petição, com questões escritas, dirigidas ao senhor Marcelo Odebrecht, pedindo que sejam respondidas. Aí o juízo, bem… a pessoa quando é acusada, ela é ouvida oralmente no processo. Logo, o juiz marca uma audiência para as perguntas serem realizadas. Agora a defesa vem e diz que não quer fazer as perguntas”, indigna-se o juiz.

“A defesa não teve acesso ao material. Vossa excelência pode verificar”, justifica o advogado. “A defesa tinha feito as perguntas na petição. Está na petição, apresentou por escrito”, diz Moro.

O juiz e o advogado seguem discutindo sobre o acesso ao material – Zanin diz que não teve acesso e Moro afirma que as mensagens estão nos autos.

Em seguida, Moro questina: “Pelo que eu entendi, a defesa não tem perguntas, é isso?”. O defensor volta a dizer que não viu as mensagens e pede o acesso à íntegra.

“Essa é uma coisa, outra coisa são as perguntas que a defesa formulou por escrito dirigidas ao senhor Marcelo Odebrecht e que motivou a designação dessa audiência. As defesas estão na petição, eu posso ler pro doutor se há dificuldade para fazer as perguntas (…)”, diz Moro.

“Sem acesso, é… vossa excelência tem sempre gentis palavras para dirigir a defesa”, afirma Zanin.

A discussão segue até que Moro afirma que vai prosseguir com a audiência. Depois, o juiz libera o acesso a todo o conteúdo do HD de Marcelo Odebrecht, de onde vieram os e-mails anexados ao processo relacionado ao Instituto Lula.

O depoimento

Durante a audiência, Marcelo Odebrecht reafirmou que o dinheiro para aquisição dos imóveis saiu da planilha “italiano”, codinome atribuído ao ex-ministro Antonio Palocci dentro do esquema de propina da Odebrecht.

O empresário disse novamente que era o ex-ministro quem administrava esta conta de propina.

Palocci está preso em Curitiba desde setembro de 2016. Em junho do ano passado, o ex-ministro foi condenado pelo juiz Sérgio Moro, a 12 anos, 2 meses e 20 dias de reclusão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Moro entendeu que Palocci recebeu propina para atuar em favor do Grupo Odebrecht, entre 2008 e 2013, interferindo em decisões tomadas pelo governo federal. Segundo a sentença, ele intermediou propinas pagas pela Odebrecht ao PT (Partido dos Trabalhadores).

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