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Saúde O Ministério da Agricultura identificou a contaminação da água utilizada pela Backer na produção de suas cervejas

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A Polícia Civil detectou substâncias nocivas à saúde em tanque de refrigeração da cervejaria. (Foto: Divulgação/PC-MG)

Análises realizadas pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) constataram a contaminação da água utilizada pela Backer na fabricação de suas cervejas. A informação foi anunciada nesta quarta-feira (15), em entrevista coletiva concedida em Brasília, pelo Diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal do Mapa, Glauco Bertoldo, e pelo coordenador-geral de Vinhos e Bebidas, Carlos Vitor Müller.

Diante da suspeita de que a contaminação por dietilenoglicol e monoetilenoglicol é sistêmica, ou seja, está presente no processo de fabricação da Backer, o Ministério determinou o recolhimento de todos os produtos da cervejaria e a suspensão da fabricação, pois outras marcas podem estar contaminadas também”, afirmou Glauco Bertoldo. A presença das moléculas tóxicas no tanque da água utilizada na produção da cerveja é algo excepcional e é motivo de investigação pela força-tarefa formada para apurar o ocorrido.

O coordenador-geral de Vinhos e Bebidas, Carlos Müller, informou que ainda todo o processo de fabricação está sendo periciado e que, por enquanto, há três hipóteses sendo investigadas: sabotagem, vazamento e uso inadequado das moléculas de monoetilenoglicol no processo de refrigeração do sistema.

Segundo a fiscalização do Mapa, foi identificado um uso elevado do produto utilizado no sistema de refrigeração. De acordo com o Mapa, 15 toneladas do insumo foram compradas pela cervejaria desde 2018, com picos em novembro e dezembro de 2019. Como a refrigeração é um sistema fechado, em princípio, não haveria justificativa para essa aquisição em grande escala.

Conforme informaram os técnicos, os controles de produção demonstram que os lotes já detectados como contaminados passaram por distintos tanques, não estando restrita ao tanque 10, onde supostamente teria sido produzida a marca Belorizontina. Uma nova rodada de amostras está sob análise dos laboratórios federais agropecuários e os resultados serão divulgados em breve.

“É importante ressaltar que não existem limites aceitáveis para a presença das substâncias em alimentos”, destacou o coordenador Carlos Müller. “Temos [força-tarefa] que ir atrás de como ocorreu esta contaminação”, acrescentou. A Backer, que responderá a um processo administrativo, ficará fechada por tempo indeterminado e seus produtos só poderão voltar a ser comercializados após o Mapa comprovar a normalidade do sistema de produção da empresa.

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais informou que até esta quarta-feira (15), foram notificados 17 casos suspeitos de intoxicação exógena por Dietilenoglicol. Desses, 16 pessoas são do sexo masculino e uma do feminino. Quatro casos foram confirmados e os 13 restantes continuam sob investigação, uma vez que apresentaram sinais e sintomas com relato de exposição.

Dois casos evoluíram para óbito. Um desses óbitos está entre os quatro casos em que foi confirmada a presença da substância dietilenoglicol no sangue. Conforme informações da Polícia Civil, trata-se de um homem, que esteve internado em hospital de Juiz de Fora e foi sepultado em Ubá.

Já o outro caso de óbito está entre os 13 que estão em investigação. Trata-se de um homem que faleceu nesta quarta, em Belo Horizonte, que estava entre os casos suspeitos e a confirmação sobre a causa da morte só será possível após a conclusão do laudo.

A suspeita de um terceiro caso fatal envolvendo a morte de uma moradora da cidade de Pompéu, a cerca de 170 quilômetros de Belo Horizonte, ainda não foi confirmada nem pela Polícia Civil, nem pela Secretaria de Saúde de Minas Gerais.

A distribuição geográfica dos 17 casos notificados, segundo município de residência, é a seguinte: 12 casos em Belo Horizonte e os demais 5 casos contabilizam registros em Ubá, Viçosa, São Lourenço, Nova Lima e São João Del Rei.

Com base nos resultados da análise pericial realizada pela Polícia Civil, a Vigilância Sanitária Estadual determinou a interdição cautelar dos lotes L1 1348 e L2 1348 da cerveja Backer Belorizontina. A interdição nacional dos mesmos lotes foi determinada pela ANVISA.

A cervejaria Backer informou em nota que “estruturou uma equipe especializada, que desde ontem (terça-feira) atua para prestar assistência e fornecer o apoio necessário aos pacientes e seus familiares. A empresa se solidariza com essas pessoas, compartilha da mesma dor que eles vivem nesse momento, e reforça sua atenção e seu compromisso em disponibilizar todo o suporte necessário para cada um deles. A Backer está aberta para receber o contato desses familiares sempre que desejarem e continua colaborando com as autoridades e verificando seus processos para contribuir com as investigações e ter respostas o quanto antes. O contato exclusivo para os familiares é (31) 3228-8859, de 8h às 17h”.

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