Sábado, 19 de Setembro de 2020

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Magazine “O nosso órgão mais sexual é o cérebro”, diz a atriz Marisa Orth

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De volta à TV no 'Zorra', atriz relembrou preconceito quando começou no humor. (Foto: Reprodução)

A cabeça de Marisa Orth parece um caldeirão fervilhante, de onde transbordam ideias e reflexões sobre os mais variados aspectos da vida a todo instante. Não é de se estranhar, portanto, que, aos 56 anos, a atriz considere o cérebro o “nosso órgão mais sexual”. Em meio a uma quarentena cumprida em sua casa, em São Paulo, ela vive uma imersão criativa, enquanto prepara a sua volta para um humorístico na TV aberta. Ela está no elenco da nova temporada do “Zorra”, que estreia no próximo sábado, com boa parte das esquetes gravadas pelos atores em seus próprios lares. “Até meu cachorro botei na roda”, conta.

Na conversa a seguir, ela fala sobre os bastidores desse trabalho e passeia por temas como religião, arte, sexualidade e comportamento. “Sou formada em Psicologia e, pelo amor de Deus, o mundo age como se não existisse Freud, como se não houvesse inconsciente. Coisa chata! Acho isso o auge da caretice”, diz.

1-Como recebeu o convite para o “Zorra”?

Fiquei bem feliz. Nem tinha percebido que estava com saudade de fazer comédia. O “Zorra” me lembra o “TV Pirata”, que fiz o finalzinho. Tem essa coisa de interpretar cinco, seis personagens totalmente diferentes no mesmo dia. Acho leve, porque o principal é a situação, a piada. Num mesmo programa se faz uma mãe futurista e uma professora descontrolada.

2-E como a pandemia afetou o projeto?

Gravamos umas três semanas, e aí, casa. Ficamos esperando, até que decidimos fazer remotamente. Até meu cachorro eu botei na roda. A vizinha aqui do lado também queria aparecer. “Deixa eu pegar um papel de vizinha fofoqueira”, disse. Imagina que louco o redator receber essas informações e bolar uma comédia em cima? A Maria, minha querida e deliciosa cozinheira, que está quarentenando comigo porque dorme aqui em casa, virou produtora de objetos. Meu filho (João Antonio, de 21 anos, do relacionamento com o produtor Evandro Pereira), está cursando o último ano da faculdade de Cinema e acaba fazendo “estágio”. Ele ilumina, sonoriza, enquadra. Já fez até ponta como ator. O maridão (o percussionista Dalua) dá uma força também. Ele pegou mais na parte pesada, que é carregar as coisas de um cenário para o outro.

3-Você está conseguindo tocar algum projeto?

A gente não perde a esperança, amigo. Estamos vendo se conseguimos dinheiro para essa peça do Tennessee Williams. Tem o meu show “Romance”, mistura de teatro e música, que quero fazer em drive-in. Já tem um começo de conversa sobre isso. Estou muito a fim de entrar nessa. Acho que comédia é fundamental hoje em dia, bicho. Faz rir e critica, né?

4-Está mais difícil fazer humor?

Talvez exija mais coragem. O humor é provocativo para caramba. Mas a minha geração sofreu mais preconceito. Muitas vezes, fui vista por pares como: “Ah, ela pegou o caminho mais fácil, faz qualquer coisa para ganhar dinheiro”. Era menos valorizado, especialmente para a mulher. Ela tem que ser dama do teatro, né? Muito provavelmente não criticaram Paulo Gracindo, com seu “Primo rico, primo pobre”, Procópio Ferreira, Grande Otelo, Brandão Filho… Não estou me igualando a esses monstros geniais, mas a cobrança para a mulher é maior.

5-Você mudou muito nos últimos anos?

Morrer e ficar velha não dá para escapar. Estou menos competitiva. Acho isso uma coisa bem profunda. Sempre fui bastante competitiva. Não extremamente agressiva, mas sofria se não tivesse alcançado alguns objetivos. Não percebia que tinha ganhado de um outro lado. Isso é saber viver. Uma coisa é querer. Outra coisa é ter noção do que é bom para você. Acho que estou começando a me conhecer melhor.

6-Sua “Playboy”, publicada em 1997, fez muito sucesso…

Fui para Portugal uma época e disse que fiz a “Playboy” porque tinha vontade. Aí as pessoas ficaram chocadas, perguntaram se eu precisava tanto assim de dinheiro. Mas eu nunca fui uma mendiga belíssima, uma mulher que estivesse na sarjeta e só tivesse a beleza para vender. Nunca fui nem mendiga nem belíssima. Não sou aquela: “Uau, como ela é linda. Vamos ver se é boa atriz”. Sei que não sou isso. Achava a “Playboy” chique. Só tinha estrelas na capa. Foi uma superoportunidade artística.

7-Sente uma cobrança externa para ser um “mulherão”?

Estou no lucro total. Consegui ficar linda. Foi um bônus. Deu para ser gata e gostosa, e agora acho que estou bonitona. Estou envelhecendo bem para caramba. Estou gostando bem mais de mim hoje em dia. E a “Playboy” ajudou nisso também.

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