Sábado, 24 de Outubro de 2020

Porto Alegre

Mundo O papa Francisco disse que está preocupado com o retorno dos movimentos nacionalistas na Europa

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O cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, afirmou que o papa Francisco está preocupado com “o retorno dos nacionalismos” e as “pressões desagregadoras” que ocorrem na Europa atualmente.

Conforme o representante da Santa Sé, o resultado do referendo britânico do ano passado e as pressões desagregadoras que o continente atravessa – como o movimento separatista da Catalunha – levaram o pontífice a considerar a urgência de favorecer uma reflexão ainda mais ampla e cuidadosa sobre as direções que esse e outros continentes estão seguindo”.

Parolin também explicou que o papa está preocupado com outras questões como “o avanço do populismo e o retorno dos nacionalismos, o desemprego e os problemas ambientais”. O secretário de Estado do Vaticano também ressaltou que “a Santa Sé olhou, desde o princípio, com interesse e respeito, o projeto de integração europeia” e apostou por uma UE na qual “a unidade prevaleça sobre o conflito”.

Discurso

O papa Francisco ofereceu hoje um discurso no Vaticano aos participantes de um fórum de diálogo sobre o futuro da União Europeia no qual atacou “as lógicas particulares e nacionais” na Europa e defendeu o diálogo na política para impedir que “grupos extremistas e populistas” façam “do protesto o coração de sua mensagem”.

O líder supremo da Igreja católica também frisou que aposta no diálogo político como forma de solucionar impasses que colocam em risco o equilíbrio e a paz em níveis regional e internacional. Ele afirmou que a ausência do debate proporciona um terreno fértil para “grupos extremistas e populistas que fazem do protesto o coração de sua mensagem política, sem oferecer um projeto político como alternativa construtiva”.

O evento, denominado “(Re)thinking Europe” (ou “Repensando a Europa”, em uma tradução livre para o português), foi organizado pelo Vaticano em parceria com a Comissão das Conferências Episcopais da Comunidade Europeia (Comece, na sigla em inglês).

Dentre os presentes estavam figuras de destaque como o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, o primeiro vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans, e Mairead McGuinness, uma das vice-presidentes do legislativo continental.

Convite

No final de setembro, um grupo de 420 religiosos da Catalunha pediu que o papa Francisco atue na mediação do impasse político com a Espanha, motivado pelo movimento separatista local. Os eclesiásticos escreveram ao líder católico para solicitar que conversasse com as autoridades espanholas e que Madri permitisse a realização do referendo agendado para o início de outubro. A consulta ocorreu dias depois mas não foi reconhecida pelo governo do país europeu.

Na carta, os religiosos pediram o fim da repressão e sugerem que o pontífice convidasse o governo da Espanha, publicamente ou por vias diplomáticas, a rever a sua oposição ao referendo. Eles argumentaram que 80% da população da província se mostrou favorável à realização da consulta popular.

Em resposta, o governo da Espanha transmitiu ao Vaticano uma nota verbal de protesto contra o apelo assinado pelos 420 religiosos da Catalunha. No dia 7 deste mês, o novo embaixador da Espanha ante a Santa Sé, Gerardo Bugallo, disse que o papa Francisco já lhe expressou a postura do Vaticano em não reconhecer os movimentos separatistas, posicionando-se a favor do cumprimento da lei e do respeito à Constituição Federal da Espanha.

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