Sábado, 05 de Dezembro de 2020

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Brasil O partido da presidenciável Marina Silva tem rede de dissidentes e críticas internas

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Candidata da Rede afirmou que 'não é uma arma na mão' que resolverá o problema da violência no País. (Foto: Agência Brasil)

Enquanto enfrenta dificuldades para fechar alianças para a pré-campanha da presidenciável Marina Silva, a Rede Sustentabilidade tem um histórico de dissidências que ajuda a entender a estrutura de poder do projeto político da ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente.

Ex-integrantes da Rede apontam que a atuação do núcleo do partido, mais próximo de Marina, diminuiu a democracia interna no partido. Em São Paulo, as dificuldades da legenda vêm desde 2016, quando o então porta-voz estadual — como os presidentes de diretórios regionais são chamados — deixou o partido por discordâncias com a Executiva Nacional. Nelson Pedroso foi fiel ao projeto de Marina desde que o movimento da pré-candidata ocupou o PV para a disputa da eleição presidencial de 2010. Após seguidos desgastes, desligou-se do cargo e da sigla. Para ele, a Rede tem dono:

“A verticalização aplicada pelos ‘mais próximos’ de Marina produziu um efeito devastador, fazendo com que muitos se afastassem. Ocorreram substituições de todos aqueles que foram afastados, por um boicote sincronizado. Mesmo assim, fizemos alguns ‘milagres’, sem nenhum suporte de qualquer ordem.”

Samuel Braun, ex-porta-voz no diretório do Rio, deixou a legenda no fim do ano passado após discussões com a Executiva Nacional. Hoje no PSB, afirmou que, sobretudo durante o período em que discutia-se o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), os filiados mais à esquerda no partido foram escanteados e tachados de “puxadinho do PT”. Responsável por atrair movimentos sociais ao partido, Braun conta que alguns integrantes foram rejeitados.

“Virou uma burocracia partidária como qualquer outra”, disse o ex-filiado, acrescentando que, para ele, a Rede ainda está acima da média dos outros partidos.

A influência da Executiva Nacional pode ser medida pelo número de comissões provisórias formadas ao redor do País. Dos 324 órgãos partidários da Rede, 275 são provisórios, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Isso significa que essas instâncias têm força limitada, pois podem ser destituídas numa canetada. A Rede não chega a ter a mesma situação que o PR, que tem 99% de comissões provisórias, mas tem 85%, acima da média de 70% verificada entre as 35 legendas do País.

A Rede se propôs a fazer campanha este ano para Marina Silva por meio de voluntários engajados. Por esse critério, é em São Paulo, principal colégio eleitoral do País, que a sigla tem mais dificuldades para tentar eleger a ex-ministra e outros candidatos. O partido tem 2.487 filiados no Estado, de acordo com o TSE. O número é menor do que os 2.711 simpatizantes de Minas Gerais, que tem menos da metade da população.

Além da dificuldade em angariar filiados em São Paulo, o partido não terá um candidato próprio ao governo local: decidiu apoiar Claudio Aguiar, do PMN, partido que ainda não tem um acordo firmado com a Rede nacionalmente. Também não tem prefeitos para ajudar na campanha. O único eleito em 2016, Anderson Prado, em Lençóis Paulista, migrou para o PSB no ano passado.

A Rede se diferencia por buscar alianças com movimentos sociais, e não procurar acordos com outras legendas, modelo usado pelos demais partidos. Há um preço a pagar. Sem uma coligação, Marina deverá ter apenas 12 segundos na propaganda televisiva, instrumento fundamental para fazer campanha. Deverá ter R$ 10 milhões do fundo eleitoral.

A Rede atribui a discrepância entre o número de filiados e o tamanho de São Paulo à sua forma de organização com movimentos sociais — que não necessariamente se traduz em número de apoiadores formais.

Além disso, destacou que Minas Gerais possui mais municípios que São Paulo. O partido, no entanto, tem pouco menos de cem filiados paulistas a mais do que os integrantes gaúchos, em que pese o Estado ter mais cidades que o Rio Grande do Sul e quatro vezes mais habitantes.

“A gente não vai organicamente para dentro dos sindicatos, por exemplo. Não está dentro da nossa visão de mundo. São Paulo tem muitas possibilidades de ação conjunta em parceria, daí a dinâmica local tem suas especificidades”, explica Jâne Villas Boas, coordenadora nacional de comunicação.

Ex-porta-voz estadual da Rede em São Paulo, Nelson Pedroso avalia que a Rede não deu importância às suas tentativas para que as comissões provisórias criadas no interior e litoral paulista ganhassem autonomia para se tornarem diretórios — ou “elos” — municipais.

 

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