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Brasil O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, defendeu o ministro da Saúde: “A gente precisa de um caminho único”

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Presidente da Câmara afirma que ministro foi "coerente" em entrevista ao Fantástico. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu nesta segunda-feira (13) a posição do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, sobre a necessidade de um discurso único em relação ao isolamento social. Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, Mandetta disse que espera convergência de esforços no combate ao coronavírus. Na semana em que chegou a limpar as gavetas e quase deixar o cargo por atritos com o presidente Jair Bolsonaro, o ministro disse que a divisão de estratégias gera “dubiedade”.

Em entrevista coletiva na Câmara, Maia disse que o ministro foi “coerente”.

“É óbvio que se ele, como ministro da Saúde, dá uma orientação, e o presidente dá outra, isso gera dúvidas na sociedade brasileira. E essas dúvidas precisam acabar. A gente precisa ter um caminho único. Qualquer que seja (esse caminho), e cada um assume a sua responsabilidade sobre as suas decisões”, disse Maia.

O presidente da Câmara acrescentou que Mandetta está preocupado com os impactos das aglomerações e o possível colapso do sistema de saúde.

“O ministro ontem foi muito tranquilo, não achei que ele foi agressivo. Mas, perguntado (sobre o assunto), ele tem que responder.”

Na entrevista, Mandetta se posicionou contra as atitudes de Bolsonaro.

“Não há ninguém contra nem a favor de nada. O nosso inimigo é o coronavírus”, afirmou o ministro.

“Esse é o nosso adversário, inimigo. Se eu estou ministro da Saúde, é por obra de nomeação do presidente. O presidente olha pelo lado da economia. O Ministério da Saúde entende a economia, entende a cultura e educação, mas chama pelo lado de equilíbrio de proteção, à vida. Eu espero que essa validação dos diferentes modelos de enfrentamento possa ser comum e termos uma ala única, unificada. Por isso leva para o brasileiro uma dubiedade: não se sabe se escuta o ministro, o presidente.”

Críticas

Líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo disse que “ninguém é insubstituível”, após ser questionado sobre a entrevista de Mandetta ao Fantástico. “Acho que o ministro erra quando incita qualquer divergência com o presidente da República, que é o chefe dele”, completou.

O líder avaliou que Mandetta agiu contra a ética. “Mas fazer isso de maneira isolada e dando a entender que está criticando a atitude do presidente, na minha visão, não é uma atitude correta e ética.”

As declarações foram dadas durante o UOL Debate, realizado nesta segunda.

Após a fala dele, a deputada federal Carla Zambelli opinou dizendo que uma eventual demissão de Mandetta não geraria desgaste tão grande ao governo. “Acho que seria desgastante para o governo ele fazer uma demissão na semana passada. Se ela acontecesse hoje, depois do que ele fez ontem [a entrevista], acho que a população [aceitaria]”, disse Carla Zambelli. Major Vítor Hugo concordou com a colega.

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