Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 23 de abril de 2021
Ao fazer o balanço da Cúpula de Líderes sobre o Clima encerrada nesta sexta-feira (23), o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse que os compromissos apresentados pelo presidente Jair Bolsonaro são “notícias encorajadoras”.
O segundo dia de eventos foi marcado por debates sobre tecnologias verdes, oportunidades econômicas e o que será necessário para implementar políticas ambientais mais ecológicas e ambiciosas.
“Ouvimos notícias encorajadoras da Argentina, do Brasil, da África do Sul e da Coreia do Sul”, disse o presidente americano, elencando os países participantes em seu discurso de encerramento. “Estou ansioso para trabalhar em conjunto com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, em uma nova parceria para atingir nossos objetivos climáticos e energéticos, fazendo deles um pilar central das nossas relações bilaterais.”
O aceno de Biden ao Brasil, no entanto, não deve ser visto como um grande triunfo pelo Planalto: Biden foi mais generoso com nações que assumiram compromissos mais contundentes, como vinha demandando. O presidente americano ressaltou as “metas ambiciosas” anunciadas por dois de seus maiores aliados, o Japão e o Canadá, que se comprometeram respectivamente a cortar suas emissões de gases causadores do efeito estufa em 50%, em comparação com os níveis de 2013, e 45%, em comparação com os níveis de 2005.
“Essas metas vieram da demonstração de liderança da União Europeia e do Reino Unido. Assim, metade da economia do planeta está comprometida a limitar o aquecimento global a 1,5°C”, disse Biden, referindo-se à mudança de temperatura máxima para que se evite um cataclisma.
Pressionado a tomar medidas mais contundentes diante de sua desastrosa política ambiental, Bolsonaro anunciou que anteciparia em dez anos, para 2050, o prazo para o Brasil neutralizar suas emissões de carbono, apesar de não explicar como pretende fazê-lo.
Em um anúncio que foi considerado insuficiente por ex-ministros, o governo brasileiro manteve as mesmas metas de redução das emissões assumidas em 2015 no âmbito do Acordo de Paris: cortar as emissões em 37% até 2025 e em 43% até 2030, além de zerar o desmatamento ilegal até 2030.
Ao encerrar a Cúpula, Biden disse também crer houve “progresso importante” nos últimos dois dias no combate ao que classificou como uma “emergência existencial”. Nesse sentido, ele destacou o recém-anunciado plano americano que prevê dobrar as verbas para ações climáticas em países em desenvolvimento. À decisão americana, se somaram ainda uma iniciativa bilionária para as florestas e a pressão pelo maior envolvimento do setor financeiro na transição para uma economia verde.
“Compromisso sem ação é só um monte de ar quente, sem trocadilhos. Precisamos implementá-los e acelerá-los”, disse Biden, afirmando crer que o mundo será capaz de responder ao desafio, um “imperativo econômico e moral”. “Nações que trabalham juntas para investir em uma economia mais limpa vão colher os benefícios para seus cidadãos.
Biden falou sobre como os EUA planejam atingir seu objetivo de cortar entre 50% e 52% suas emissões de gases causadores de efeito estufa até 2030. A meta anterior americana, firmada pelo ex-presidente Barack Obama em 2015, no âmbito do Acordo de Paris, era de cortar as emissões entre 26% e 28% até 2025.
Tanto o presidente quanto seu enviado climático especial, John Kerry, ressaltaram que os debates continuarão ativos até a COP-26, cúpula climática da ONU que acontecerá em novembro em Glasgow, na Escócia.
“Os próximos dez anos são críticos para que tomemos as decisões críticas para evitar os piores efeitos da crise climática”, disse Kerry. “É a última esperança que teremos para unir o mundo e movê-lo na direção necessária.”
Biden disse ainda que até mesmo adversários podem encontrar lugares comuns no combate à emergência climática, citando especificamente sua relação com o presidente Vladimir Putin. O presidente americano já havia citado o discurso feito na quinta (22) pelo líder russo, afirmando que esperava colaborar com Moscou no âmbito climático, mas retomou o assunto em alguns comentários informais antes de sua fala de encerramento.
“O presidente Putin e eu temos nossas desavenças, mas ele está falando sobre como você pode capturar carbono do espaço”, disse Biden. “Faz muito sentido: por mais que eu e o presidente da Rússia tenhamos discordâncias, duas grandes nações podem cooperar para conquistar um objetivo.”
A Casa Branca e o Kremlin protagonizaram nas últimas semanas uma escalada retórica diante dos avanços russos na Crimeia, território ucraniano anexado unilateralmente pelos russos em 2014 após a chegada de um governo pró-Ocidente ao poder. Na quinta, Moscou anunciou que iria finalizar suas atividades militares na região.
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