Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 17 de outubro de 2018
O PT (Partido dos Trabalhadores) pediu que a PGR (Procuradoria-Geral da República) investigue abuso de poder econômico por parte da campanha do candidato à Presidência da República pelo PSL, Jair Bolsonaro e da empresa que faz a comunicação da candidatura, a AM4 Informática. O partido defende que há chance de “emprego de montante de dinheiro público não declarado para a campanha, bem como a utilização dessas ferramentas para disseminar informações inverídicas”, o que influenciaria o resultado das eleições.
A petição se baseou em reportagem publicada pelo jornal “O Globo” em 7 de outubro, cujo o título aponta para grande estrutura de equipe de campanha: “Time digital de Bolsonaro distribui conteúdo para 1.500 grupos de WhatsApp”.
“Um time de 15 pessoas, da empresa de estratégia digital AM4, é responsável por distribuir conteúdo para cerca de 1.500 grupos de WhatsApp, que, por sua vez, compartilham-no com outros inúmeros conjuntos de apoiadores em diversas redes sociais”, diz o texto da reportagem. Com estas estratégias Bolsonaro conquistou 6,9 milhões de seguidores no Facebook e 3,8 milhões no Instagram –”números que saltam aos olhos, tendo em vista a média de seguidores de outros candidatos”.
De acordo com os advogados da Coligação “O povo feliz de novo”, de Fernando Haddad, o tamanho da equipe, de 15 pessoas, e o valor pago à agência, de R$ 100 mil, não são compatíveis com o serviço prestado pela empresa.
Eles destacam o número de fake news veiculadas em favor do oponente na campanha. “É fato público e notório que a disseminação de publicações que degradam, a partir, de informações falsas, o candidato Fernando Haddad, a candidata Manuela D’Ávila e a coligação ‘O povo feliz de novo’ é intensa, danosa e recorrente”, apontam.
Exclusão de publicações
Eles conseguiram, até o momento, a retirada do ar de mais de 100 links de várias plataformas. O fato narrado, de acordo com a peça, leva a crer que Bolsonaro causa “desequilíbrio no processo eleitoral”.
Na segunda (15), o TSE determinou a exclusão de publicações da campanha de Bolsonaro que vinculavam Haddad à suposta distribuição de um “kit gay” nas escolas.
“Soma-se a estes fatos a declaração do sócio-fundador da AM4, Marcos Aurélio Carvalho, no sentido de que o trabalho da empresa também consiste na ‘curadoria do conteúdo criado pelos apoiadores'”, argumentam os advogados.
“Dessa forma, tudo leva a crer que a empresa de estratégia digital, bem como a campanha da Coligação ‘Brasil Acima de Tudo, Deus Acima de Todos’, pode ter envolvimento nessa rede de produção e circulação de informações falsas sobre a Coligação peticionante [a coligação do PT]”, concluem.
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