Sexta-feira, 07 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 2 de fevereiro de 2019
Em discurso no plenário do Senado na manhã deste sábado, Renan Calheiros (MDB-AL) retirou sua candidatura à presidência do Senado. O plenário do Senado vaiou quando Renan disse que o processo não era democrático e retirou sua candidatura. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.
A eleição para a escolha do nome que comandará o Senado nos próximos dois anos foi adiada para este sábado (2), após mais de cinco horas de manobras regimentais, bate-bocas e até o “roubo” da pasta de condução dos trabalhos na sessão desta sexta-feira (1°).
A confusão que marcou o primeiro dia continuou presente no plenário do Senado. Depois do discurso de todos os candidatos, começou a primeira votação para a eleição do presidente da Casa. Ao final, foram constatadas 82 cédulas de votação para 81 senadores. Após muito bate-boca, a Mesa Diretora decidiu por uma nova votação.
Alguns senadores optaram por declarar o voto em microfone e por exibir as cédulas de votação.
Disputam o cargo: Renan Calheiros (MDB-AL), Davi Alcolumbre (DEM-AP), Fernando Collor (Pros-AL), Angelo Coronel (PSD-BA), Reguffe (sem partido-DF) e Esperidião Amin (PP-SC). Os senadores Major Olímpio (PSL-SP), Simone Tebet (MDB-MS) e Alvaro Dias (Pode-PR) desistiram da disputa.
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, decidiu na madrugada deste sábado (2) anular a manobra do plenário do Senado pelo voto aberto na eleição para a presidência da Casa e determinou que a votação seja secreta.
“Sou a favor do voto aberto, mas quis evitar especulações”, diz Flavio Bolsonaro
O filho senador do presidente Jair Bolsonaro, Flavio Bolsonaro (PSL-RJ) se justificou nas redes por não ter aberto o voto como outros senadores na eleição interna da Casa.
“Sou a favor do voto aberto, mas nessa ocasião específica, por ser filho do chefe de outro Poder, optei por não abrir meu voto, para evitar especulações com intuito de prejudicar o governo. Que o eleito, independentemente de quem for, apoie as pautas que o Brasil necessita”, disse nas redes.
Na segunda votação, porém, abriu seu voto a Davi Alcolumbre (DEM-AP).
Após essa fraude na urna e para que não pairem dúvidas, declaro meu meu voto em Davi Alcolumbre para presidência do Senado.
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) February 2, 2019
Renan criticou Onyx e defendeu reforma da Previdência
O senador Renan Calheiros (MDB-AL) criticou o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e defendeu a reforma da Previdência em seu discurso da tribuna como candidato a presidente da Casa.
Renan acusou Onyx de ter vazado que o presidente Jair Bolsonaro havia telefonado a ele ao ser escolhido candidato do MDB para a disputa no Senado. O objetivo, argumentou, era esvaziar o simbolismo do gesto e forçar Bolsonaro a fazer o mesmo com outros candidatos.
“Será que quem fez isso tem dimensão institucional para, no momento difícil da vida do País, construir uma correlação neste Senado que favoreça a aprovação das reformas?”, questionou.
Renan alfinetou Onyx mais de uma vez e não poupou o seu oponente Davi Alcolumbre (DEM-AP) por, em sua visão, ter usurpado o poder na véspera.
“Não era mais o Davi, era o Golias. O Davi eram os outros senadores”, disse Renan.
Em mais um aceno a uma das principais metas do governo, Renan disse ser “evidente que chegou a hora de reformarmos a nossa Previdência”.
“O Brasil não vai a lugar nenhum se não fizer uma reforma profunda, que aproxima os sistemas privado e público e que tenha como princípio o combate ao privilégio que faz esse País andar para trás”, discursou.
Renan afirmou que “o resgate do patriotismo não poderia ser mais salutar” e, citando o Hino da Independência, fez uma corruptela do slogan de Bolsonaro.
“O interesse público acima de todos e a democracia acima de tudo”, disse. O original é Brasil acima de tudo, Deus acima de todos.
Com discurso quase três vezes mais longo que os demais candidatos, Renan foi interrompido por Alvaro Dias (Pode-PR).
“Não quero impedir a fala do senador Renan, mas queria que me concedesse o mesmo tempo infinito”, ironizou, dirigindo-se a José Maranhão, aliado a Renan que preside a sessão.
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