Sábado, 31 de Outubro de 2020

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Artes Visuais Obra da artista visual Regina Silveira recompõe patrimônio da Casa de Cultura Mario Quintana

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O diretor da CCMQ, Diego Groisman, o diretor do MACRS, André Venzon, e a obra de Regina Silveira.

Foto: Kevin Nicolai/Divulgação
O diretor da CCMQ, Diego Groisman, o diretor do MACRS, André Venzon, e a obra de Regina Silveira. (Foto: Kevin Nicolai/Divulgação)

A obra “Auditório”, de Regina Silveira – um dos principais nomes da arte contemporânea brasileira – foi recebida no dia 21 de agosto pela CCMQ (Casa de Cultura Mario Quintana). A instalação será finalizada em setembro, mês em que se celebram os 30 anos de funcionamento da Casa.

O resgate, que simboliza um grande acontecimento para a CCMQ, contou com o apoio da galeria Bolsa de Arte, que se responsabilizou pelo transporte apropriado da obra, desde São Paulo até Porto Alegre, e do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, que disponibilizou a equipe técnica encarregada do laudo museológico e da supervisão na instalação do painel. “Espero que o episódio sirva de alerta para desenvolvimento e consolidação da consciência sobre a preservação do patrimônio público, e estimule que se confira o merecido reconhecimento a essas figuras que tanto fizeram pela nossa arte e cultura”, diz o historiador da arte Diego Groisman, que assumiu em junho deste ano a direção da CCMQ,

Na década de 1990, a artista visual Regina Silveira deu início a uma série de trabalhos a partir de imagens de diferentes auditórios. Em madeira, essas imagens foram remontadas e tratadas de modo a se obter a ilusão de tridimensionalidade. A artista conta que o painel “Auditorium”, perdido involuntariamente, em 2016, havia sido idealizado especificamente para o espaço que antecede a entrada do Teatro Bruno Kiefer. “Auditorium” fora adquirida na ocasião da inauguração da CCMQ, escolhida diretamente por Flávio Kiefer, um dos arquitetos responsáveis pelo projeto que transformou o prédio do Hotel Majestic em Casa de Cultura.

Em 2016, durante uma reforma do local onde a obra se encontrava, “Auditorium” foi removido da parede e guardado em um depósito para receber uma pequena restauração na estrutura de madeira. Os restos da reforma ficaram nesse mesmo depósito e a obra de arte, acidentalmente, acabou sendo removida junto com o entulho. O episódio, na época, gerou sindicância e processo administrativo que apontaram responsabilidades.

Groisman tomou conhecimento do desaparecimento da obra alertado por André Venzon, diretor do MACRS (Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul). “Para a Casa de Cultura, ter uma obra da Regina Silveira é muito valioso. Não somente porque a artista é um grande nome da arte brasileira, mas por tudo que representa salvaguardar uma obra de sua autoria: um meio de reconhecer seu legado e prestar um tributo à sua trajetória artística”, afirma.

A artista

Regina Silveira (1939) nasceu em Porto Alegre e vive em São Paulo. Ao longo de mais de cinco décadas, Silveira, uma figura crítica na arte conceitual brasileira, investigou a tensão entre movimento e perspectiva espacial, inserindo significado político em instalações que respondem a locais específicos. Reconhecida por suas explorações paródicas do espaço através de construções geométricas, a obra de Silveira é celebrada tanto pelo rigor conceitual quanto pelo impacto formal. Graduada pela UFRGS em 1959, nos anos 1960, iniciou uma formação artística sob a tutela do pintor expressionista Iberê Camargo. Também estudou xilogravura, com Francisco Stockinger, e litografia com Marcelo Grassmann.

Com Doutorado na ECA/USP (1984), onde lecionou a partir de 1974, tem extensa carreira docente. Desde os anos 1960, tem realizado inúmeras exposições individuais e participado de coletivas selecionadas nacionais e internacionais. Foi artista convidada da Trienal de Setouchi, Japão (2016), das bienais de Havana (1986,1998 e 2015), da Médiations Biennale Poznan, Polônia (2012), das Bienais do Mercosul (2001, 2011), da Bienal de Taipei (2006) e das bienais de São Paulo (1981,1983, 1998). Entre as premiações recentes, em 2013 recebeu o Prêmio MASP; em 2012, o Prêmio ABCA; em 2009, o Prêmio Fundação Bunge e, em 2007, o Prêmio Bravo Prime. Suas obras estão presentes em diversas coleções e museus, nacionais e internacionais.

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