Quinta-feira, 26 de maio de 2022

Porto Alegre
Porto Alegre
18°
Fog

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail ou WhatsApp.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Saúde Ômicron pode acelerar o fim da pandemia do coronavírus na Europa, diz a Organização Mundial da Saúde

Compartilhe esta notícia:

Estudo constatou ainda que as duas primeiras aplicações da vacina da Pfizer reduzem em 41% internações pela variante, mesmo nove meses depois. (Foto: Reprodução)

A variante ômicron do coronavírus, com a qual 60% dos europeus poderão ser infetados antes de março, deu lugar a uma nova fase da pandemia de Covid-19 na região e poderá acelerar o seu fim, disse o diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a Europa.

“É plausível que a região esteja se aproximando do fim da pandemia”, declarou Hans Kluge, diretor regional da OMS para a Europa, embora tenha pedido cautela, dada a versatilidade do vírus.

“Assim que a onda da Ômicron se acalmar, haverá imunidade por algumas semanas e meses, seja graças à vacina ou porque as pessoas terão sido imunizadas pela infecção, e também uma queda devido à sazonalidade”, considerou.

Por estar no hemisfério Norte, a Europa enfrenta o inverno neste momento, período no qual as doenças respiratórias são transmitidas com mais facilidade.

No entanto, a Europa não está numa “era endêmica”, sublinhou o responsável.

“Endêmico significa […] que podemos prever o que vai acontecer; esse vírus surpreendeu mais de uma vez, então temos que ter cuidado”, insistiu Kluge.

Brasil

Especialistas brasileiros concordam que o fim da pandemia é possível com a variante ômicron. Mas não é certo.

“O sentido da vida é passar os genes para frente. Com o vírus não é diferente. Um vírus que mata demais alerta os hospedeiros e começa a ter um insucesso evolutivo. A vantagem evolutiva é daquele que se transmite muito, causando o mínimo de doença possível. Matar, então, nem pensar. O bem-sucedido não causa doença nunca. Então, a tendência é que um dia, em décadas, ele vire um resfriado”, explica o virologista Fernando Spilki, coordenador da Rede Corona-ômica, que sequencia e analisa o genoma do coronavírus em todo o Brasil.

No entanto, Spilki pede cautela com essa hipótese:

“Não vamos voltar a 2020, mas novas variantes vão acontecer. Não se para a evolução, e, na perspectiva mais otimista, essa mutação viria mais atenuada. Mas é biologia, não uma ciência exata, por isso o ideal é tentar mitigar esse processo por meio da vacinação. Talvez estejamos indo para um caminho de atenuação. Não dá para dizer que nenhuma variante vai ser mais grave. A pandemia começou a acabar quando a vacinação engrenou, mas a vitória é nossa e não é porque ele ficou atenuado”, afirma.

De acordo com o virologista, para que, de fato, esse caminho em direção ao fim da pandemia se concretize é necessário que as vacinas passem por uma atualização. Seria muito difícil, a curto prazo, conseguir imunizantes que bloqueiem totalmente a infecção, mas ele defende o desenvolvimento de vacinas mais próximas das mutações que vêm sendo observadas com o intuito de bloquear a multiplicação do vírus na pessoa, fazendo com que transmita menos.

Outro aspecto em discussão é o efeito de tanta gente infectada, reforçando a imunização natural, na pandemia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que, nas próximas semanas, metade da população europeia deve ser infectada pela Ômicron. Para Ludhmila Hajjar, intensivista e professora de cardiologia do Hospital das Clínicas, em São Paulo, e médica da Rede D’Or, a conjunção de fatores é protetora e corrobora a ideia de que a pandemia possa caminhar para o fim.

“Temos pela primeira vez a junção de dois fatores: uma variante altamente prevalente infectando muita gente imunizada. Isso faz com que um número alto de pessoas se infecte com a forma branda da doença, o que é bom para a imunização. Não podemos, no entanto, baixar a guarda com a vacinação”, alerta.

A pneumologista, professora e pesquisadora da Fiocruz Margareth Dalcolmo escreveu a coluna “Seria a Ômicron o começo do fim da pandemia?” no jonal O Globo, em 4 de janeiro. Na ocasião, a médica disse que “pelo registro histórico, sabemos que ‘uma epidemia pode durar em média dois anos’, nos reportando à memória de outras ao longo dos séculos”. Ela continua:

“Mas será mesmo a Ômicron tão mais contagiosa do que a Delta, mais patogênica? Ou esse padrão genético tão diferente significaria o esfriamento da pandemia e o começo do fim? Sim, essa hipótese guardaria uma boa plausibilidade biológica, com a prudente distância desta e de uma verdade absoluta. Tudo até o momento nos demonstra que as vacinas dão conta, pelo menos, de atenuar a severidade dos casos, visto que não se observa aumento substantivo de hospitalizações graves. E, assim, o Sars-CoV-2 vai desenhando sua endemicidade e passa a fazer parte do diagnóstico diferencial de doenças virais respiratórias rotineiramente.”

tags: em foco

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Saúde

Por ano, mais de 1 milhão de pessoas morre por causa de superbactérias
Ômicron mudou a pandemia, e pode ser que tenha chegado para ficar
Deixe seu comentário
Pode te interessar